Sala de convívio
15 julho 2021

Sete irmãos champa e uma irmã parul

Tempo de leitura: 2 min
Esta peça de teatro adapta um conto popular do Bangladeche, escrito por Dakshinaranjan Mitra Majumdar (1877-1956). Ensina que o amor gera bênçãos e o ciúme produz crueldade.
Redação
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Personagens: Narrador, rei, rainha jovem, seis rainhas mais velhas, seis bebés rapazes e um bebé menina, povo. 

Narrador: Era uma vez um rei que casou com seis rainhas…

Rei: Sou um monarca desgraçado. Casei com seis mulheres e não tenho nenhum filho.

Narrador: Querendo vencer a tristeza, o rei casou pela sétima vez. Passados nove meses, apareceu feliz.

Rei: Anuncio a todo o reino que a jovem rainha deu à luz sete rapazes e uma menina.

Povo (aplaude): Viva o rei! Viva a rainha! Vivam os bebés!

Rainha Escolhida: Agradeço o vosso carinho, e o amor do meu amado, que nos concederam esta bênção!

Narrador: Mas nem todos ficaram contentes.

Rainha Velha: A nova rainha é a preferidinha do rei! Bah (simula cuspir)!

Rainha Anosa: Ela pariu sem demora, e tantos filhos! Só pode ser uma rata nojenta.

Rainha Terceira: Temos de nos livrar da rainha, senão o rei nunca mais olhará para nós.

Rainha Somada: O rei agora só tem olhos para os filhos. Temos de matar os bebés.

Rainha Temporária: Sim, matamos os bebés. E enterramo-los numa lixeira.

Rainha Finita: Depois, vamos substituí-los por cachorrinhos e uma gatinha.

Narrador: As seis rainhas concordaram e executaram o plano.

Rei: Ai, ai, ai! Uma enorme desgraça abateu-se sobre mim. Só pode ser bruxaria: os sete rapazes agora são cachorrinhos, e a menina é uma gatinha. Vou expulsar a rainha!

Narrador: A rainha expulsa foi viver na lixeira.

Rainha Escolhida: Vejam só como brotaram aqui sete árvores champa e uma árvore parul. E que flores tão bonitas! Vou apanhar algumas.

Narrador: Então aconteceu algo maravilhoso: um menino surgiu de cada flor champa, e uma menina despontou da flor parul.

Bebés (cada um, quando se deita no colo da mãe): Mamã! Mamã!

Narrador: A rainha e os bebés voltaram para o palácio.

Rei: Já mandei castigar as rainhas ciumentas.

Rainha Escolhida: Amor, perdoa-as! Vivamos felizes para sempre!

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EDIÇÃO
Julho 2021 - nº 598
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