Sala de convívio
07 setembro 2021

Verde para todos

Tempo de leitura: 5 min
Sem os formalismos que afastam muitos interessados dos dispendiosos campos tradicionais, o golfe rústico pode ser jogado com um investimento mínimo e sem custos ambientais.
Luís Óscar
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A ideia nasceu nos Estados Unidos, quando alguns golfistas, descontentes com as exigências e custos da prática do golfe nos campos tradicionais, resolveram regressar às origens da modalidade, que surgiu nas pastagens da Escócia, há séculos, com os pastores a projetarem pedras com os cajados, a fim de se entreterem. O golfe rústico ganhou rapidamente muitos simpatizantes e, embora ainda não exista como modalidade de competição, já tem alguma organização na América do Norte, havendo entidades que se dedicam sobretudo a divulgar os encontros e os melhores locais para bater umas bolas sem grandes preocupações.

Ainda quase desconhecido em Portugal, o golfe rústico começa a ganhar importância nos Açores, cujo governo regional está a ponderar incentivar esta atividade de lazer como uma mais-valia na oferta turística, voltada para a Natureza. É que o golfe rústico (ou de pastagens, como também é conhecido), além de dispensar investimento em infraestruturas, não tem os pesados custos ambientais dos campos tradicionais – onde são feitas regas intensivas e utilizados muitos fertilizantes para manter a relva sempre verdinha –, que quase inviabilizam a sua construção e manutenção em ecossistemas frágeis, como são as ilhas mais pequenas.

Principais características

A grande diferença do golfe rústico para o «normal» é a inexistência de buracos e de zonas de relva muito curta em redor dos buracos («greens»). Os buracos são substituídos por bandeiras e um círculo em torno da respectiva haste. Mas o jogo funciona como o «verdadeiro» golfe, cujo objetivo é colocar a bola no «buraco» com o mínimo de pancadas. Outra importante diferença é que se pode ajeitar a bola que se esconde na vegetação.

Obviamente, sem a etiqueta característica do golfe – em que é obrigatório uma indumentária própria, utilizam-se vários tacos e, até, muitos campos exigem «handicap» (um sistema de avaliação da qualidade individual de jogo, conseguido através dos resultados anteriores) –, o golfe rústico é adequado para toda a família e uma ótima forma de se iniciar na modalidade. Basta um taco, que até pode ser utilizado por todos, uma bola para cada um (ter algumas de reserva, pois as perdas acontecem...) e arranjar um espaço de pastagem ou campo baldio onde se possam colocar as varas com as (normalmente nove) bandeiras, que funcionam como buracos, nas zonas mais limpas do terreno. Não é má ideia utilizar umas galochas (botins de cano alto), por razões óbvias.

Dificilmente o golfe rústico virá a ser uma modalidade de competição, mas é uma experiência bastante divertida, mesmo para quem já frequenta campos de golfe. Para os outros, pode ser a única maneira de testar a sua aptidão para uma das modalidades desportivas em que a aparente facilidade de execução está bem longe da realidade.

Sem o «stress» competitivo, o golfe rústico é uma atividade saudável, muito repousante e que, durante cerca de uma hora, mantém os praticantes integrados na Natureza. Algumas unidades hoteleiras açorianas já aproveitam espaços de mato, culturas agrícolas ou pastagem para estabelecerem campos de golfe rústico nas épocas em que não estão a ser utilizados para a sua finalidade principal. Nesta espécie de terrenos multiusos, são apreciados os contactos com pequenos animais domésticos.

Como praticar

Arranjar um taco e bolas de golfe e encontrar um espaço livre onde colocar as bandeiras. Sem voar até aos Açores é difícil encontrar um campo já demarcado, como o de um parque rural em Aveiras de Cima.

Estrelas

Funcionando para o golfe como o futebol de rua e as suas peladinhas para o desporto-rei, o golfe das pastagens não tem competições. Campeões são todos os que decidem praticar desporto divertindo-se e respeitando a Natureza.

Curiosidade

Foi no Canadá que o açoriano Luís Silva conheceu e se tornou o grande entusiasta do golfe rústico, organizando as primeiras «provas» em Portugal nas imediações da pequena aldeia de Água Retorta, concelho de Povoação (ilha de São Miguel). Já organizou eventos em várias ilhas dos Açores.

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Campeões
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EDIÇÃO
Maio 2022 - nº 607
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