Sala de convívio
09 outubro 2021

Quanto vale um bilião?

Tempo de leitura: 2 min
Por cá, chamamos bilião a um número com doze zeros à direita do 1.
Hélder Guégués
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Há uma confusão muito grande entre o billion americano e o nosso bilião. Tomemos um exemplo muito recente: «Hans-Adam II tem por título oficial príncipe de Liechtenstein, duque de Troppau e Jägerndorf, conde de Rietberg, soberano da Casa de Liechtenstein e uma fortuna familiar estimada em 7,6 biliões de dólares e uma fortuna pessoal de 4 biliões de dólares, sendo um dos chefes de Estado mais ricos do mundo e o monarca mais rico da Europa, rainha Isabel II incluída» («Para além do bem e do mal», António Araújo, Diário de Notícias, 28.08.2021, p. 33).

O monarca do Liechtenstein é, de facto, riquíssimo – mas muitíssimo menos do que o historiador António Araújo nos assevera. Qual a origem do erro, tão comum nas traduções e na imprensa? Muito simples: o valor do bilião varia dos EUA para a Europa. Por cá, chamamos bilião a um número com doze zeros à direita do 1, enquanto nos EUA o bilião é um número com nove zeros à direita do 1. A IX Conferência Geral dos Pesos e Medidas, reunida em 1948, aconselhou a adoção da regra 6n nos países europeus, alinhando pelo sistema britânico de então. Segundo essa regra, há uma nova designação sempre que se acrescentam mais seis zeros a um número. Ou seja, um bilião é um milhão de milhões e um trilião um milhão de biliões. Em conclusão? Hans-Adam II tem uma fortuna pessoal de 4 mil milhões de dólares (4 000 000 000) e não 4 biliões de dólares (4 000 000 000 000). Em euros, à volta de 3200 milhões.

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EDIÇÃO
Outubro 2021 - nº 600
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