Sala de convívio
11 novembro 2021

O papel amarrotado

Tempo de leitura: 1 min
O coração das pessoas é como esse papel. A marca que deixas com as tuas ofensas será tão difícil de desfazer quanto esses vincos e dobras.
Anthony de Mello
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Certo orador contou que, quando era menino, o seu caráter impulsivo o fazia explodir de raiva à menor provocação que lhe era feita. Depois, quase sempre, sentia-se envergonhado e tratava de pedir desculpas a quem havia ofendido.

Um dia, o seu professor, que o viu a justificar-se após uma das suas explosões de raiva com um dos colegas, levou-o para a sala de aula, entregou-lhe uma folha de papel lisa e disse:

– Amarfanha-a!

O menino, não sem surpresa, obedeceu e fez uma bola com o papel.

– Agora – disse o professor –, tenta deixá-lo como estava antes.

No entanto, por mais que tentasse, não conseguiu alisar o papel como estava. Por mais que se esforçasse, o papel ficava sempre cheio de vincos e rugas. Então, o professor concluiu dizendo-lhe:

– O coração das pessoas é como esse papel. A marca que deixas com as tuas ofensas será tão difícil de desfazer quanto esses vincos e dobras.

E foi assim que ele aprendeu a ser mais compreensivo e paciente, e quando estava prestes a explodir, lembrava-se do papel amarrotado.

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EDIÇÃO
Novembro 2021 - nº 601
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