À volta do mundo
04 maio 2020

Os Moçabitas

Tempo de leitura: 3 min
Este povo da Argélia vive, desde 1012, em cinco cidades oásis, no vale de M’Zab, um território pedregoso no Norte do deserto do Sara. São uma das etnias berberes de Zenata, cuja presença na região remonta à Idade da Pedra.
Fernando Félix
Jornalista
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Curiosidades

Os homens são comerciantes habilidosos. Uns gerem lojas de importação e exportação com a Europa; outros vendem produtos agrícolas cultivados no vale. Há quem viaje por todo o país. Todos os lucros são aplicados em M’Zab.

Falam moçabita, uma língua ágrafa, ou seja, que não tem forma escrita. É um dialeto da língua zenata. São fluentes em árabe.

A vida é moldada pela religião. Adaptaram o Islão à sua cultura. Ninguém falta ao chamamento para as orações ao longo do dia. Cuidam dos pobres e remediam as necessidades da comunidade, porque a pobreza entre eles ou de povos vizinhos já desencadeou conflitos, que provocaram mortos, e eles prezam viver em paz.

São puritanos e conservadores. Os homens amparam as mulheres. Elas vestem-se de modo a resguardar-se dos olhares indiscretos. As meninas são incentivadas a estudar e seguir uma carreira. Todavia, solteiras, divorciadas e viúvas não podem ser proprietárias, exceto se cuidam de familiares ou são responsáveis por crianças.

É moçabita a primeira cidade ecocidadã da Argélia: Ksar Tafilelt. Foi construída em 2000 numa colina rochosa. Tem mil casas térreas ou de um andar, de pedra, gesso e cal, pintadas de tons ocres e linhas brancas, e 6000 habitantes. As ruelas estreitas proporcionam sombra no verão e protegem das tempestades de areia. A urbe é vanguardista na gestão da energia, água e resíduos, e combina as comodidades modernas com os princípios ancestrais da entreajuda, do serviço comunitário e da preservação do ecossistema frágil dos palmeirais e dos oásis no seu conjunto.

A visão ancestral de que proteger a Natureza é respeitar os seus direitos é perpetuada entre gerações. Cada moçabita planta árvores e cuida delas sem adubos químicos ou pesticidas. Os animais são alimentados com produtos orgânicos.

São peritos em canais de irrigação. A exuberância dos jardins de M’zab é lendária.

O vale de M’zab foi declarado Património da Humanidade pela Unesco, como exemplo de um habitat humano tradicional adaptado ao meio ambiente.

 

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EDIÇÃO
Maio 2020 - nº 585
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