Música
15 janeiro 2026

Fire of God’s Love

Tempo de leitura: 3 min
No Reino Unido, um artigo no jornal The Guardian refere-se ao disco Fire of God’s Love, da religiosa australiana Irene O’Connor, como um banquete irresistível de bateria electrónica, guitarra acústica e órgão sintético» e «uma mistura selvagem de teclados, baterias electrónicas e imagens religiosas.
António Marujo
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Título: Fire of God’s Love

Autora e intérprete: Irene O’Connor (e Des O’Neil numa das músicas)

Edição: Freedom To Spend

Disponível no Bandcamp

 

Um órgão psicadélico, com sons que revivem as décadas de 1960-70, uma voz ingénua e quase adolescente. Irene O’Connor foi trabalhar com crianças em Singapura nos anos 1950, acompanhada de uma guitarra, para animar actividades com as crianças que iria acompanhar. O pai de uma delas, conta-se na página digital com o seu disco, ouviu-a e convidou-a gravar numa rádio.

Pouco depois, assinou um contrato com a Philips e editou vários singles com o pseudónimo Myriam Frances. Finalmente, publicou uma compilação no final da década de 1960. Já em Singapura, conta Matthew Blackwell na página do disco no Bandcamp, Irene O’Connor conheceu uma outra irmã, Marimil Lobregat, técnica de áudio que se interessava pelos instrumentos electrónicos em ascensão.

Dez anos depois, de novo na Austrália, reencontraram-se em Sydney e decidiram gravar juntas este Fogo do Amor de Deus, com a irmã Marimil a fazer a produção e o registo.

As diferentes influências estão presentes no disco: o teclado electrónico de peças como Fire («Fogo»), Emmanuel ou O Brother («Oh irmão»); as canções para crianças em Springtime («Tempo de Primavera»), Light («Luz») ou Nature Is A Song («A natureza é uma canção»), também uma música de embalar, que fala da presença de Deus na Natureza; o folk acústico em Messe du Saint Esprit («Missa do Espírito Santo») ou Mary Was ‘There’ («Maria esteve ali»); ou o ritmo dançante e juvenil (a música de baile desse tempo é outra das marcas que aqui se nota) em Teenager’s Chorus («Coro de adolescentes») e Keshukoran (música em bahasa indonésio em louvor do «Deus criador»); e ainda o tom coral e litúrgico de O Great Mystery («Oh, grande mistério») e Christ Our King («Cristo nosso rei»).

Várias das músicas vão buscar inspiração a fontes bíblicas – e nomeadamente aos evangelhos. É o caso, entre outras, da faixa inicial, que dá título ao disco Fire of God’s Love («Cristo veio para acender o fogo na terra»). Em outros casos, usam-se orações como o Glória ou o Pai-Nosso. Os textos (um dos quais cantado em francês, outro em bahasa, como referido), são ao mesmo tempo simples e assertivos. Como na música que dá título ao disco: «Cristo veio para acender o fogo na terra/ O fogo do amor de Deus Ele trouxe ao mundo/ De facto, este lugar seria um lugar triste/ Sem este fogo a abraçar todas as raças.»

Com uma linguagem musicalmente moderna e vibrante, este disco de Irene O’Connor é um tesouro absolutamente imperdível.

 

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Janeiro 2026 - nº 764
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