

Título: Taire
Autor: Bachar Mar-Khalifé
Disponível nas plataformas digitais
Em francês, o título deste disco, Taire, significa silêncio, calar; as composições deste álbum de Bachar Mar-Khalifé, libanês a residir em França, são um apelo ao silêncio que nos falta no Ocidente e ao silêncio das armas e dos conflitos. Bachar tinha seis anos quando a família emigrou, porque o seu país estava em guerra. O pai, Marcel Khalife, era um cantor popular no Líbano e Bachar foi aprender música. Com base no piano e percussão, uma mescla de jazz, electrónica, hip-hop e música instrumental por vezes quase minimalista, foram-se afirmando na obra do músico franco-libanês, desde o inicial Oil Slick, publicado em 2010.
A sonoridade oriental sente-se também em várias peças. E a música instrumental ou “ambiente” não retira carga dramática à criação de Bachar Mar-Khalifé. Bem pelo contrário: Dortoir tem um ritmo, dado pela proeminência da guitarra eléctrica, que contrasta com o significado de dormitório que o título traduz. Tal como Eden, a música que abre o disco, em que a ideia do paraíso “contradiz” a repreensão de uma criança que, supostamente, faz tudo errado. Bataille, por seu lado, é mais literal, de novo com a força da guitarra eléctrica, a que sucede uma mais meditativa Bi Salam, como que para apaziguar sentimentos no final do disco. Uma bela descoberta a que se podem juntar as músicas para filmes reunidas na colectânea The End, que se inicia com The Olive Tree (A oliveira), publicado também em 2025.

Título: Herança – A Música da Sé de Évora
Intérprete: Armando Possante (direcção musical); Grupo Vocal Olisipo
Edição: Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa
Disponível na página do Grupo Vocal Olisipo
(https://www.grupovocalolisipo.com)
Este disco nasceu de várias perguntas. Entre elas, a de saber quantas obras e compositores haveria ainda por descobrir no espólio da Sé de Évora. Para lá da “geração de ouro” que inclui Manuel Cardoso, Estêvão de Brito, Estêvão Lopes Morago ou Francisco Martins, o Grupo Vocal Olisipo apresenta aqui, com a colaboração do musicólogo Luís Henriques, um extraordinário leque de peças e autores, que traduzem a distinção da catedral alentejana como “um dos mais importantes centros musicais portugueses”, como diz Luís Henriques na apresentação do disco.
As obras aqui reunidas foram compostas para diferentes tempos do calendário litúrgico ou para a celebração da eucaristia e são uma bela expressão da qualidade polifónica da criação feita em Évora ou por autores que ali aprenderam. O disco abre com uma peça sobre o episódio da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus e faz uma viagem por temas que falam da esperança do Advento, do mistério da morte, da libertação e júbilo pascais ou da ligação filial à mãe de Jesus. O disco físico apresenta ainda poemas e textos de Tiago Patrício, fotografias de João Vasco e traduções dos textos bíblicos de Frederico Lourenço, elementos que completam e confirmam a música e a arte como belezas que nos salvam.
