
O ano de 2026 parece ter chegado para nos desinquietar. Entre uma meteorologia desafiante, a guerra que de longe nos traz preocupações com um futuro que já não sabemos nem adivinhar, nem cuidar, com o aumento dos preços, a insegurança sem sossego e muitos alertas.
Ainda mal começámos este ano e já fomos chamados a apoiar perto, cuidando das muitas dificuldades de quem, muito próximo, viu a sua vida revirada por intempéries desusadamente violentas, que deixaram casas sem condições de habitabilidade, agricultura e pescas sem rendimento e muitas famílias com a sua sustentabilidade severamente ameaçada.
Este ano apresenta-se, assim, cheio de desafios que juntam intempéries agressivas com desafios meteorológicos e a impossibilidade de baixar os braços. Há muito que fazer e todos estamos convocados.
Mas os desafios não ficam por aqui. Temos de olhar para longe com atenção, ao que o mundo nos traz; é como se o mundo nos quisesse desassossegar também. Entre a meteorologia, a guerra, a economia desestabilizada e a insegurança no futuro, temos de ser resilientes e procurar encontrar caminhos para cuidar de feridos e desalojados, de acudir a quem viu a destruição de casas, estradas e caminhos, empresas e equipamentos. Cuidar, antes que o calor do Verão chegue, da queda de árvores e de estruturas. Recompor caminhos, estradas, escolas e serviços de transporte. Reabilitar os sistemas de energia, água e comunicações e tudo o que de mais se perdeu por obra das tempestades Kristin, Leonardo e Marta, entre outros fenómenos atmosféricos.
Ajudar a refazer o que ficou destruído e a retomar a actividade de forma consciente, preventiva e com olhar no que as mudanças climáticas nos evidenciam e que temos de acautelar. Uma coisa é certa, temos de ouvir os recados da Natureza. Reerguer o que pode ser reposto e perceber o que ainda vamos a tempo de mudar e cuidar dos mais frágeis.
Com esta situação complexa temos mesmo de nos «apresentar ao serviço», até porque não é fácil adivinhar e acautelar o que este ano de 2026 ainda nos trará. Não podemos só olhar para o que se passa lá fora, nem podemos deixar de olhar e cuidar do que está perto.
A Cáritas está em emergência, trabalhando em rede, tentando chegar a quem mais precisa. O desafio é muito grande. Cada território tem problemas e trunfos diferentes e não há dúvida de que temos de agir juntos, lendo as especificidades de cada território em cada momento. O desafio é ler na proximidade e reagir juntos de forma produtiva tentando chegar com propósito, com estratégia, para um futuro que nos proteja e nos (re)construa.
Em rede façamos todos o mesmo, mas chegando mais além. Estou certa de que, juntando dons, recursos e forças, poderemos «ser muito mais» e chegar muito mais longe.
Espero que consigamos acrescentar, saber ser rede e o façamos levando esperança, confiança e alegria.
