Opinião
08 maio 2020

Os «aliados naturais» de Cristo

Tempo de leitura: 4 min
Precisamos de jovens apaixonados por Jesus, que encontrem nele a resposta mais completa e verdadeira a todas as inquietações e ânsias do seu coração.
Tomás Virtuoso
Economista, consultor do Organismo Internacional de Jovens do Vaticano
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O livro é de 1983. Sujo e gasto, encontrei-o na sala dos fundos da Livraria Sá da Costa em Lisboa. Na lombada, O Papa Fala aos Jovens. Mal o abri, deparei-me com uma página manuscrita. Primeiro, espantou-me encontrar uma dedicatória de São João Paulo II aos jovens portugueses escrita há quase 40 anos. Mas depois, não mais me saiu da cabeça o que numas linhas tão curtas Wojtyla escrevera: os jovens são os «aliados naturais» de Cristo.

Desde então, tenho pensado que essa poderia bem ser uma resposta a dar à pergunta de saber qual é hoje o maior desafio que a pastoral juvenil enfrenta.

De facto, o conteúdo central da proposta que queremos fazer aos jovens deste tempo deve ser, antes de mais nada, uma vida profunda e decisivamente enraizada em Cristo (como aliás fica claríssimo ao lermos a marcante exortação apostólica Cristo Vive do nosso Papa Francisco). Precisamos de jovens dependentes de Cristo. Jovens inteiramente livres que escolhem pôr todas as certezas do seu coração no Homem que mais amou e que mais sofreu, que mais viveu e que mais fez viver, e que continua hoje, a cada hora do nosso dia, em cada momento da nossa história, plenamente vivo.

É este o nosso maior desafio: num mundo de ídolos e modelos mais ou menos fugazes, mais ou menos artificiais, ser capazes de propor Jesus como a mais original, a mais fresca e a mais contemporânea das referências. Precisamos de jovens apaixonados por Jesus, que encontrem nele a resposta mais completa e verdadeira a todas as inquietações e ânsias do seu coração.

Assim, teremos jovens que são aliados de Cristo porque a sua vida foi de tal forma tocada por esse encontro decisivo que é impossível que isso não transpareça numa vida autêntica. Jovens aliados por saberem que, apesar de nem tudo depender de si, são chamados a cumprir o seu papel de levar Jesus aos que estão à sua volta, dando testemunho de uma vida que n’Ele encontrou sentido.

E, por fim, jovens que são aliados naturais de Cristo porque, tal como disse São João Paulo II aos jovens portugueses reunidos no Parque Eduardo VII em 1982, «a evangelização não se faz sem entusiasmo juvenil, sem juventude no coração, sem um conjunto de qualidades em que a juventude é pródiga: alegria, esperança, transparência, audácia, criatividade, idealismo...».

Na verdade, as Jornadas Mundiais da Juventude que vão acontecer no Verão de 2022 em Portugal são uma graça imensa que não podemos de forma nenhuma desperdiçar. Mas graça maior ainda é termos até lá um longo caminho de preparação, onde tantos frutos podem surgir nas vidas de tantos jovens.

A maior missão que temos pela frente nos tempos que se avizinham é de que cada jovem possa fazer a experiência de perceber que a verdadeira jornada vai acontecer no interior do seu coração. Que a JMJ em Portugal antes de ser jornada mundial da juventude seja uma multidão imensa de jovens marcados por Jesus. Com o exemplo dos santos e a protecção de Nossa Senhora, rezemos e trabalhemos para que isto possa acontecer!  

 

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Julho 2020 - nº 704
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