Valores
04 outubro 2019

«Aprendi a construir um amor fraternal»

Tempo de leitura: 2 min
O André Araújo (na foto, ao fundo, entre jovens de Carapira, em Moçambique) é um jovem de Braga que, depois de terminar os estudos em Teologia, pediu para ingressar nos Missionários Combonianos.
Redação
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O André Araújo viveu uma experiência missionária em Carapira, diocese de Nampula (Moçambique), com os Missionários Combonianos. A missão (paróquia) tem um vasto território e administra uma escola técnica.

Este ano, no dia 10 de outubro, festa litúrgica de S. Daniel Comboni, ingressa no seminário do Instituto, na fase de formação chamada Noviciado (para estudar mais aprofundadamente o carisma de S. Daniel Comboni durante cerca de dois anos), em Santarém.

Antes de deixar Moçambique ele escreveu à Audácia:

«Como seria de esperar, viver em Moçambique, mesmo no contexto de experiência missionária, é sempre um desafio diário.

Vir permitiu-me conhecer este país e ter consciência de como se vive aqui. Por vezes, caímos no erro de construir uma imagem daquele que sofre e não consegue encontrar meios para acabar com o seu sofrimento, mas isso é como que um mito. A verdade é que a maior parte das pessoas com quem convivi em Moçambique vive abaixo do limiar da pobreza porque subsiste apenas daquilo que a terra dá. Todavia, outras, embora o número seja pequeno, vivem com uma capacidade acima da média, e, não obstante, porque não há quem as ajude a construir uma vida, continuam a viver como se não tivessem nada, limitam-se a viver o dia a dia. Pareceria que não há sonhos na vida destas pessoas. Se na família há alguém que consegue um emprego, então tem de ajudar toda a família a sobreviver, isto é aceitável, mas um pouco repressivo.

Um olhar mais atento percebe que a realidade de Moçambique transmite àquele que a vê um sentimento de amor, porque as pessoas necessitam de ser amadas, mas no sentido fraternal. Na vida destas pessoas cabem aqueles que, por boa vontade ou inspirados em Deus, vêm manifestar os afetos com simplicidade e com cuidado para não cair no erro de dar-se sem olhar à realidade em que se encontram.

Aprendi, por isso, que devemos dar sem esperar o retorno, uma doação plena e à luz do Evangelho, de tal modo que possamos ver em cada uma das pessoas que se cruza connosco o verdadeiro Jesus Cristo. E, à medida que virmos em cada um o rosto de Cristo, não estamos a dar-nos simplesmente, mas a construir um amor fraternal e, ao mesmo tempo, a viver esse mesmo amor.»

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EDIÇÃO
Outubro 2019 - nº 578
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