Valores
19 outubro 2019

«Vinte anos de muita alegria missionária no Brasil»

Tempo de leitura: 4 min
O missionário comboniano P. José Manuel Guerra Brites é natural de Riachos, Torres Novas. Padre há vinte e seis anos, já dedicou vinte anos de missão ao Brasil. Ele conta à Audácia o que tem feito.
Redação
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Em dezembro de 1999, depois de seis anos de trabalho na animação missionária e pastoral da juventude na comunidade comboniana de Coimbra, fui destinado a trabalhar em terras do Nordeste brasileiro. Fiquei à frente dos trabalhos pastorais da paróquia de São Pedro e São Paulo, em Paraíba, na cidade de Santa Rita. Além da formação catequética, litúrgica e missionária, cooperei igualmente em trabalhos na área social, como a reivindicação de direitos ligados à família, à reforma, à segurança pública, às políticas sociais por melhorias na saúde, de residência digna e de transporte acessível.

No âmbito da evangelização e promoção humana, sublinho o trabalho de combate à pobreza nas crianças e jovens. Em conjunto com várias congregações de irmãs, ajudei a criar espaços educativos e de lazer, com o objetivo de enfrentar os perigos do tráfico de drogas e da prostituição dentro dos bairros mais carenciados. E, de entre as várias instituições, quero destacar a Casa dos Sonhos, o CEFEC – Centro de Formação Educativo Comunitário e o CeCIF – Centro de Capacitação e Incentivo à Formação, que acolhem centenas de jovens pobres, ajudando-os a desenvolverem os seus talentos pessoais e no campo profissional. Esse trabalho conjunto entre a paróquia, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Óscar Romero, as instituições e as várias congregações deu-me muita alegria missionária.

Após quase seis anos na Paraíba, fui destinado ao Maranhão, à paróquia Menino Jesus de Praga, em Timón, com as suas nove comunidades urbanas e quase cinquenta comunidades num vasto território rural. Muitas comunidades estavam a começar e a estruturar-se. A paróquia aposta, em primeiro lugar, na formação dos mais novos e na pastoral familiar, e apoia a obra social do Projeto Mãos Dadas, iniciado e continuado pelo P.e Armindo Dinis, que proporciona educação de qualidade a mais de 900 crianças e adolescentes mais necessitados da periferia.

A comunidade comboniana de Timón e os coordenadores dos grupos juvenis fundaram  o CEJUPAZ – Centro da Juventude para a Paz, que capacita os jovens para serem os construtores do seu futuro, para trabalharem pela paz, para o cuidado e preservação do Meio Ambiente.

Mais uma vez, depois de quase seis anos no Maranhão, fui enviado a trabalhar na Amazónia, na comunidade comboniana de Manaus, onde permaneci apenas um ano. Aí, o trabalho missionário foi sobretudo no acompanhamento das atividades juvenis, de que destaco a preparação para a missa de Pentecostes que reuniu no Sambódromo de Manaus mais de 100 mil pessoas, e a preparação e participação na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013.

Em 2014, fui convidado a assumir a paróquia de São Daniel Comboni, no coração da cidade de Salvador da Bahia, onde grande percentagem dos 100 mil habitantes tem matriz africana com toda a riqueza cultural e religiosa ligada às suas raízes. Todavia, as infraestruturas de educação e saúde são escassas e sem condições. Os perigos são a violência, o tráfico de drogas, a desestruturação de muitas famílias. E a paróquia, com um padroeiro missionário, São Daniel Comboni, vai ao encontro das pessoas mais carenciadas.

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EDIÇÃO
Fevereiro 2020 - nº 582
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