Valores
08 março 2026

O poço de Inês

Tempo de leitura: 1 min
Esta história para o III Domingo da Quaresma ajuda-nos a reconhecer a sede verdadeira que temos no nosso coração
Sérgio Carvalho
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Penitência – reconhecer a sede

 

Inês sabia exatamente como parecer feliz. Escolhia as melhores fotos, escrevia frases inspiradoras, sorria mesmo quando não tinha vontade.

Mas à noite, no silêncio do quarto, sentia-se vazia.

Num dia qualquer, numa pausa entre aulas, sentou-se ao lado de uma colega nova, Lara. Começaram a conversar. Sem saber bem porquê, Inês começou a falar… e não parou.

— “Às vezes sinto que ninguém me conhece de verdade…”

— “Tenho medo de falhar…”

— “Canso-me de fingir…”

Quando percebeu, estava a chorar.

— “Desculpa…” — disse, envergonhada.

Lara sorriu com calma: — “Não tens de pedir desculpa por seres verdadeira.”

No domingo, ouviu a história da Samaritana. Uma mulher que ia ao poço sozinha, no calor do meio-dia, para evitar os olhares.

Inês percebeu: também ela andava a evitar o seu próprio poço.

Nesse dia, decidiu não publicar nada. Nem frase bonita, nem foto perfeita.

Ficou em silêncio. E, pela primeira vez, sentiu que Deus a encontrava ali — não na imagem que mostrava, mas na sede que escondia.

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EDIÇÃO
Março 2026 - nº 648
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