
Penitência – reconhecer a sede
Inês sabia exatamente como parecer feliz. Escolhia as melhores fotos, escrevia frases inspiradoras, sorria mesmo quando não tinha vontade.
Mas à noite, no silêncio do quarto, sentia-se vazia.
Num dia qualquer, numa pausa entre aulas, sentou-se ao lado de uma colega nova, Lara. Começaram a conversar. Sem saber bem porquê, Inês começou a falar… e não parou.
— “Às vezes sinto que ninguém me conhece de verdade…”
— “Tenho medo de falhar…”
— “Canso-me de fingir…”
Quando percebeu, estava a chorar.
— “Desculpa…” — disse, envergonhada.
Lara sorriu com calma: — “Não tens de pedir desculpa por seres verdadeira.”
No domingo, ouviu a história da Samaritana. Uma mulher que ia ao poço sozinha, no calor do meio-dia, para evitar os olhares.
Inês percebeu: também ela andava a evitar o seu próprio poço.
Nesse dia, decidiu não publicar nada. Nem frase bonita, nem foto perfeita.
Ficou em silêncio. E, pela primeira vez, sentiu que Deus a encontrava ali — não na imagem que mostrava, mas na sede que escondia.
