
Na Grécia antiga, era mesmo assim. A casa dividia-se em duas zonas separadas: o androceu era o espaço dos homens, onde se faziam jantares e reuniões importantes; o gineceu era o lugar das mulheres e das crianças, onde se fiava, se tecia, se educavam os mais novos e se tratava da vida doméstica. Estas palavras vêm do grego: aná¸r quer dizer «homem» e gyná¸, «mulher». (Também encontras essas raízes em andrógino, androide, misógino, ginecologista…) Cada qual no seu canto, com regras rígidas. Nada de misturas. Essa separação não era exclusiva dos gregos, outras culturas antigas faziam o mesmo, de maneiras diferentes. Séculos depois, em regiões do Médio Oriente e do sul da Ásia, essa divisão manteve-se. Em muitas casas grandes e tradicionais, falava-se em zenana, a parte reservada às mulheres, e em mardana, a zona dos homens. Curiosamente, estas palavras vêm de línguas antigas e influentes, como o persa e o urdu: zan quer dizer «mulher» e mard, «homem».
