Sala de convívio
28 março 2026

Meninas para um lado, meninos para o outro

Tempo de leitura: 1 min
Já imaginaste viver numa casa onde metade das divisões estavam proibidas a metade da família? Onde os irmãos não podiam entrar nos quartos das irmãs, nem sequer espreitar o que lá se passava ou ir pedir a Nintendo emprestada? Uma loucura.
Hélder Guégués
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Na Grécia antiga, era mesmo assim. A casa dividia-se em duas zonas separadas: o androceu era o espaço dos homens, onde se faziam jantares e reuniões importantes; o gineceu era o lugar das mulheres e das crianças, onde se fiava, se tecia, se educavam os mais novos e se tratava da vida doméstica. Estas palavras vêm do grego: anḗr quer dizer «homem» e gynḗ, «mulher». (Também encontras essas raízes em andrógino, androide, misógino, ginecologista…) Cada qual no seu canto, com regras rígidas. Nada de misturas. Essa separação não era exclusiva dos gregos, outras culturas antigas faziam o mesmo, de maneiras diferentes. Séculos depois, em regiões do Médio Oriente e do sul da Ásia, essa divisão manteve-se. Em muitas casas grandes e tradicionais, falava-se em zenana, a parte reservada às mulheres, e em mardana, a zona dos homens. Curiosamente, estas palavras vêm de línguas antigas e influentes, como o persa e o urdu: zan quer dizer «mulher» e mard, «homem».

 

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EDIÇÃO
Março 2026 - nº 648
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