Sala de convívio
09 fevereiro 2022

Uma visão que ninguém quer

Tempo de leitura: 1 min
O visionismo, como conceito estético, começou a ser divulgado, no início dos anos 90, pelo artista plástico Luís Vieira-Baptista.
Hélder Guégués
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Há, e podemos vê-lo em vários dicionários, o visionismo como «forma de ver particular; visionamento, visionação», como se lê nos dicionários; e há, igualmente, o visionismo como conceito estético, que começou a ser divulgado, no início dos anos 90, pelo artista plástico Luís Vieira-Baptista, de quem vi uma exposição, no início de janeiro, no Aquário Vasco da Gama. O tema dos quadros apresentados era apenas um: os efeitos previsíveis das alterações climáticas nos locais que alguns de nós bem conhecemos. Assim, entre outros, vemos num óleo sobre tela a estátua equestre (segundo Machado de Castro) de D. José I coberta de algas; um troço de calçada portuguesa (o famoso mar largo da Praça do Rossio) a servir já de fundo oceânico; um vislumbre da Torre de Belém bem no fundo do oceano, etc. Ou seja, o artista, que pertenceu à Marinha, antevê o mar a reclamar o que é seu, a cobrir tudo, como já fez noutras eras, em resultado da forma como o Homem explora, maltrata e despreza o planeta.

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EDIÇÃO
Julho 2022 - nº 609
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