
O Haiti «enfrenta a crise mais grave do hemisfério ocidental, e a terceira mais grave do mundo, depois da Palestina e Sudão», alertou António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, durante a viagem que realizou ao país caribenho no passado dia 17 de Junho. «Cada dia é uma luta pela sobrevivência», disse numa conferência de imprensa.
O secretário-geral da ONU percorreu áreas devastadas pelos confrontos e visitou um abrigo improvisado instalado numa antiga escola.
O local alberga mais de 1200 pessoas que vivem em salas de aula adaptadas, onde famílias inteiras dividem espaços reduzidos. «Falei com muitos homens, mulheres e crianças que têm apenas uma refeição por dia», assinalou à guisa de balanço.
Guterres advertiu, assim, para a situação de pobreza e fome aguda que afecta os Haitianos. De facto, segundo estima o Banco Mundial, em 2025, mais de 66% da população do país, que conta com 11,9 milhões de habitantes, vivia com menos de 3,65 dólares por dia. Uma situação de pobreza que leva 600 mil pessoas a sofrerem fome — uma das taxas mais elevadas do mundo —, e cerca de 5,7 milhões a enfrentarem uma grave insegurança alimentar de acordo com o Programa Alimentar Mundial.
