
Tomé, «gémeo» em aramaico, era conhecido como Dídimo — que em grego também significa «gémeo» —, mas não sabemos se ele, talvez pescador e um dos primeiros discípulos a seguir a Jesus, tinha um irmão.
Tomé é, sobretudo, conhecido pela sua incredulidade. Não obstante, foi um homem fiel a Jesus, a quem amou profundamente e serviu com dedicação.
Um episódio narrado pelo evangelista João (cf. Jo 11,1-16) conta-nos que quando Jesus decidiu voltar a Betânia, ao saber da morte do seu amigo Lázaro, os discípulos receavam que os judeus procurassem matá-l’O. Foi então que Tomé declarou: «Vamos nós também, para morrermos com Ele»
(Jo 11,16). Esta afirmação revela a sua determinação em permanecer ao lado de Jesus, mesmo diante do perigo.
Com Jesus na nossa vida, encontramos a confiança necessária para enfrentar as adversidades; com Ele, somos sempre mais fortes.
Tomé também tinha uma relação próxima e de amizade com Jesus, que lhe permitia dialogar com o Mestre e fazer-Lhe as perguntas que inquietavam o seu coração. Quando Jesus afirmou: «E para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.» Tomé contestou: «Senhor, não sabemos para onde vais; como podemos nós saber o caminho?» Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,4-6).
A atitude de Tomé estimula-nos a sermos sinceros na nossa relação com Jesus, quando nos encontramos com Ele, sem receio de apresentar as nossas dúvidas, inquietações e anseios. Tal como ele, devemos desejar seguir o Senhor e percorrer os caminhos por onde Ele nos conduz.
Tomé, como referimos, duvidou da ressurreição de Jesus. O relato evangélico diz-nos que, enquanto estava ausente, o Ressuscitado aparece aos discípulos no cenáculo e Tomé, relutante, não acredita no que lhe contam, afirmando: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não puser o dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acreditarei» (Jo 20, 25). Tomé é um discípulo de coração inquieto que procura compreender o sentido da fé na sua vida, pois, como explicou o Papa Francisco, «Tomé é alguém que não se contenta e procura, tenciona averiguar pessoalmente, realizar uma sua experiência pessoal. Após as resistências e inquietações iniciais, no final também ele consegue crer; não obstante proceda com dificuldade, alcança a fé» (12 de Abril de 2015).
Todavia, Jesus não abandona Tomé na sua incredulidade. Oito dias depois, Jesus reaparece e diz-lhe: «Põe o teu dedo aqui e vê as minhas mãos! Estende a tua mão e coloca-a no meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente!» (Jo 20, 27). Tomé, talvez envergonhado pela sua teimosia, exclama, numa bela e potente profissão de fé: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).
É fácil criticar a dúvida de Tomé e apontar a sua falta de fé no Senhor ressuscitado. Porém, ao longo da nossa vida, quantas vezes também nós duvidamos? Quantas vezes temos dificuldade em acreditar que Deus nos pode salvar, conceder a paz ao coração ou sustentar-nos nos momentos de sofrimento? Na relação com Deus, a fé não é sinónimo de ingenuidade, mas de confiança firme na pessoa de Jesus Cristo. Também Tomé precisou de ver e de encontrar o Senhor ressuscitado para dissolver as dúvidas, amar-se a si mesmo — com as suas fraquezas e limitações — e amar Jesus com um coração inteiro.
Foi precisamente esse encontro com o Ressuscitado que transformou a vida de Tomé, dando-lhe uma fé inabalável e a coragem necessária para seguir Jesus Cristo e anunciar o Evangelho com ardor. Assim o explicou Bento XVI: «Esta sua determinação em seguir o Mestre é deveras exemplar e oferece-nos um precioso ensinamento: revela a disponibilidade total para aderir a Jesus, até identificar o próprio destino com o d’Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte. De facto, o mais importante é nunca separar-se de Jesus.»
Conta a tradição que, após o Pentecostes, Tomé recebeu a missão de evangelizar a Síria e, depois, a cidade de Edessa, cidade no Norte da Grécia (Macedónia Central), da qual partiu para fundar a primeira comunidade cristã na Babilónia, Mesopotâmia, onde permaneceu sete anos. Posteriormente, no seu entusiasmo pelo anúncio do Evangelho, embarcou para a Índia. De Muziris, um antigo porto e centro comercial situado na costa do Malabar, na actual região do Estado de Kerala, atravessou todo o país até chegar à China.
Voltou à Índia, onde, por amor a Jesus e fidelidade ao anúncio do Reino, foi trespassado por uma lança, na actual Chennai, em 3 de Julho de 72. Tomé tornou-se testemunha corajosa do Evangelho até ao martírio.
Como Tomé, o Phiri Charles, jovem comboniano natural da Zâmbia, também quer testemunhar o Evangelho com alegria. O seu caminho vocacional iniciou-se ainda em pequeno, ao ver padres e irmãos missionários combonianos a ajudar as gentes do seu país. Viu como os missionários eram dedicados e se entregavam a Deus na oração, evangelização e promoção humana. Reparou como eles viviam felizes com aqueles que iam encontrando, aprendendo a sua cultura e língua, para compartilhar com eles a fé. Observou como respeitavam e apoiavam todos, mostrando que cada pessoa precisa de ser amada, independentemente da condição em que esteja.
Charles compreendeu que os missionários combonianos procuravam ser sinal de Deus para os que com eles se cruzavam. Partilhavam o Evangelho e a vida com simplicidade e solicitude. Começou a admirá-los e a perguntar-se como teriam sido transformados pelos sentimentos do próprio Jesus para amarem os outros assim. Sentia-se atraído e queria encontrar o mesmo Deus que os missionários haviam encontrado na fé que viviam. Por isso, abordou um deles, que lhe contou o seu percurso. Falou-lhe também da vida de São Daniel Comboni, que partiu para África a fim de libertar o povo africano da escravatura, evangelizá-lo e comungar da sua sorte, o que não foi nada fácil.
O Charles questionou-se: a sua vida não podia também ser partilhada com os outros, dando bom uso aos seus dons e qualidades? Ao terminar o liceu, pediu aos pais para entrar no seminário dos Missionários Combonianos, e estes apoiaram-no. Começou por estudar Filosofia no Malauí. Depois, entrou na fase formativa do noviciado em Lusaca, capital da Zâmbia. Em 2025, consagrou a vida a Deus para ser missionário com os votos de castidade, pobreza e obediência, e foi enviado para Portugal, com o objectivo de estudar Teologia.
