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29 agosto 2026

Tomé, apóstolo determinado e fiel

Tempo de leitura: 8 min
Tomé, um dos doze discípulos escolhidos por Jesus, é normalmente recordado pela sua dúvida perante a notícia da ressurreição de Jesus. Contudo, na sua vida mostrou uma profunda fé e uma grande disponibilidade para seguir o Senhor e anunciar Evangelho até aos confins da Terra.
Pedro Nascimento
Leigo missionário comboniano
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Tomé, «gémeo» em aramaico, era conhecido como Dídimo — que em grego também significa «gémeo» —, mas não sabemos se ele, talvez pescador e um dos primeiros discípulos a seguir a Jesus, tinha um irmão.

Tomé é, sobretudo, conhecido pela sua incredulidade. Não obstante, foi um homem fiel a Jesus, a quem amou profundamente e serviu com dedicação.

 

Discípulo fiel

Um episódio narrado pelo evangelista João (cf. Jo 11,1-16) conta-nos que quando Jesus decidiu voltar a Betânia, ao saber da morte do seu amigo Lázaro, os discípulos receavam que os judeus procurassem matá-l’O. Foi então que Tomé declarou: «Vamos nós também, para morrermos com Ele»
(Jo 11,16). Esta afirmação revela a sua determinação em permanecer ao lado de Jesus, mesmo diante do perigo.

Com Jesus na nossa vida, encontramos a confiança necessária para enfrentar as adversidades; com Ele, somos sempre mais fortes.

Tomé também tinha uma relação próxima e de amizade com Jesus, que lhe permitia dialogar com o Mestre e fazer-Lhe as perguntas que inquietavam o seu coração. Quando Jesus afirmou: «E para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.» Tomé contestou: «Senhor, não sabemos para onde vais; como podemos nós saber o caminho?» Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,4-6).

A atitude de Tomé estimula-nos a sermos sinceros na nossa relação com Jesus, quando nos encontramos com Ele, sem receio de apresentar as nossas dúvidas, inquietações e anseios. Tal como ele, devemos desejar seguir o Senhor e percorrer os caminhos por onde Ele nos conduz.

 

Procurar para crer

Tomé, como referimos, duvidou da ressurreição de Jesus. O relato evangélico diz-nos que, enquanto estava ausente, o Ressuscitado aparece aos discípulos no cenáculo e Tomé, relutante, não acredita no que lhe contam, afirmando: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não puser o dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acreditarei» (Jo 20, 25). Tomé é um discípulo de coração inquieto que procura compreender o sentido da fé na sua vida, pois, como explicou o Papa Francisco, «Tomé é alguém que não se contenta e procura, tenciona averiguar pessoalmente, realizar uma sua experiência pessoal. Após as resistências e inquietações iniciais, no final também ele consegue crer; não obstante proceda com dificuldade, alcança a fé» (12 de Abril de 2015).

Todavia, Jesus não abandona Tomé na sua incredulidade. Oito dias depois, Jesus reaparece e diz-lhe: «Põe o teu dedo aqui e vê as minhas mãos! Estende a tua mão e coloca-a no meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente!» (Jo 20, 27). Tomé, talvez envergonhado pela sua teimosia, exclama, numa bela e potente profissão de fé: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).

É fácil criticar a dúvida de Tomé e apontar a sua falta de fé no Senhor ressuscitado. Porém, ao longo da nossa vida, quantas vezes também nós duvidamos? Quantas vezes temos dificuldade em acreditar que Deus nos pode salvar, conceder a paz ao coração ou sustentar-nos nos momentos de sofrimento? Na relação com Deus, a fé não é sinónimo de ingenuidade, mas de confiança firme na pessoa de Jesus Cristo. Também Tomé precisou de ver e de encontrar o Senhor ressuscitado para dissolver as dúvidas, amar-se a si mesmo — com as suas fraquezas e limitações — e amar Jesus com um coração inteiro.

 

Missionário até aos confins da Terra

Foi precisamente esse encontro com o Ressuscitado que transformou a vida de Tomé, dando-lhe uma fé inabalável e a coragem necessária para seguir Jesus Cristo e anunciar o Evangelho com ardor. Assim o explicou Bento XVI: «Esta sua determinação em seguir o Mestre é deveras exemplar e oferece-nos um precioso ensinamento: revela a disponibilidade total para aderir a Jesus, até identificar o próprio destino com o d’Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte. De facto, o mais importante é nunca separar-se de Jesus.»

Conta a tradição que, após o Pentecostes, Tomé recebeu a missão de evangelizar a Síria e, depois, a cidade de Edessa, cidade no Norte da Grécia (Macedónia Central), da qual partiu para fundar a primeira comunidade cristã na Babilónia, Mesopotâmia, onde permaneceu sete anos. Posteriormente, no seu entusiasmo pelo anúncio do Evangelho, embarcou para a Índia. De Muziris, um antigo porto e centro comercial situado na costa do Malabar, na actual região do Estado de Kerala, atravessou todo o país até chegar à China.

Voltou à Índia, onde, por amor a Jesus e fidelidade ao anúncio do Reino, foi trespassado por uma lança, na actual Chennai, em 3 de Julho de 72. Tomé tornou-se testemunha corajosa do Evangelho até ao martírio.

 

Imitadores de Jesus

Como Tomé, o Phiri Charles, jovem comboniano natural da Zâmbia, também quer testemunhar o Evangelho com alegria. O seu caminho vocacional iniciou-se ainda em pequeno, ao ver padres e irmãos missionários combonianos a ajudar as gentes do seu país. Viu como os missionários eram dedicados e se entregavam a Deus na oração, evangelização e promoção humana. Reparou como eles viviam felizes com aqueles que iam encontrando, aprendendo a sua cultura e língua, para compartilhar com eles a fé. Observou como respeitavam e apoiavam todos, mostrando que cada pessoa precisa de ser amada, independentemente da condição em que esteja.

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Charles compreendeu que os missionários combonianos procuravam ser sinal de Deus para os que com eles se cruzavam. Partilhavam o Evangelho e a vida com simplicidade e solicitude. Começou a admirá-los e a perguntar-se como teriam sido transformados pelos sentimentos do próprio Jesus para amarem os outros assim. Sentia-se atraído e queria encontrar o mesmo Deus que os missionários haviam encontrado na fé que viviam. Por isso, abordou um deles, que lhe contou o seu percurso. Falou-lhe também da vida de São Daniel Comboni, que partiu para África a fim de libertar o povo africano da escravatura, evangelizá-lo e comungar da sua sorte, o que não foi nada fácil.

O Charles questionou-se: a sua vida não podia também ser partilhada com os outros, dando bom uso aos seus dons e qualidades? Ao terminar o liceu, pediu aos pais para entrar no seminário dos Missionários Combonianos, e estes apoiaram-no. Começou por estudar Filosofia no Malauí. Depois, entrou na fase formativa do noviciado em Lusaca, capital da Zâmbia. Em 2025, consagrou a vida a Deus para ser missionário com os votos de castidade, pobreza e obediência, e foi enviado para Portugal, com o objectivo de estudar Teologia.

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EDIÇÃO
Julho e Agosto 2026 - nº 770
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