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31 março 2020

A corrupção, patologia global

Tempo de leitura: 7 min
No Peru realizaram-se, em Janeiro passado, eleições para o Parlamento. Houve mudanças no equilíbrio das forças políticas e espera-se que, no novo contexto, a corrupção e os conflitos ambientais, fruto do modelo de desenvolvimento adoptado, sejam problemas a enfrentar.
Paolo Moiola
Jornalista
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No Peru, as eleições parlamentares de domingo, 26 de Janeiro, sancionaram a vitória do presidente Martín Vizcarra. Tinha sido ele – no dia 30 de Setembro passado – a dissolver o Congresso do país. O órgão legislativo – composto por uma única câmara – era dominado pela oposição fujimorista da Fuerza Popular (os sequazes de Keiko Fujimori, filha de Alberto, antigo presidente e ditador), que dispunha de 73 assentos em 130.

No cargo desde Março de 2018, Vizcarra não conseguia governar e, em particular, fazer acolher pelo Congresso os resultados do referendo de Dezembro de 2018 sobre algumas questões concernentes à luta contra a corrupção (problema endémico e muito sentido pelos Peruanos), à reforma da justiça e à reforma do sistema parlamentar. Apostou, por isso, em novas eleições e um consequente arranjo parlamentar mais favorável. Venceu, mas não de forma estrondosa. É verdade que os fujimoristas foram claramente derrotados – com a líder Keiko encarcerada dois dias depois das eleições –, mas o novo Congresso está muito fragmentado (nove partidos em vez de seis). O centro de gravidade político deslocou-se da direita em direcção a forças mais moderadas: Acción Popular (centro), Partido Morado (centro), Alianza para o Progresso (centro-direita), Unión por el Perú (centro-esquerda), Podemos Perú (centro-esquerda) e o surpreendente Frepap (direita, expressão política de uma associação milenar e messiânica, segundo partido mais votado, ganhando 16 dos 130 assentos) são os partidos com mais representantes. Agora Vizcarra terá, no entanto, de procurar uma síntese e passar aos factos.

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EDIÇÃO
Maio 2020 - nº 702
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