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13 abril 2026

Manas é melhor do que Lenine

Tempo de leitura: 18 min
Foi primeiro parte do Império Russo, depois da União Soviética. Independente desde 1991, o Quirguistão tem procurado um caminho próprio, também por meio da valorização do mito autóctone de Manas e, ao mesmo tempo, da relativização do passado soviético. Contudo, os laços com Moscovo permanecem fortes
Paolo Moiola
Jornalista
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Bishkek. Alguém procura a estátua de Lenine. Deveria estar aqui, na Praça Ala-Too, a mais importante da capital quirguiz. Mas não está. Ou melhor, já não está: foi deslocada, prova de que a História pode mudar conforme o período em que é contada. No lugar do revolucionário russo ergue-se a estátua equestre de Manas.

Manas é o herói do Quirguistão por excelência. Figura lendária do século IX a quem se atribui a reunificação das quarenta tribos quirguizes (hoje recordadas pelos quarenta raios solares da bandeira nacional). Durante um milénio, a sua epopeia — feita de batalhas e de ensinamentos morais — foi transmitida oralmente por contadores de histórias chamados «manaschi». Só em meados do século xix a lenda foi posta por escrito, tornando-se uma das obras literárias mais longas — sete volumes com mais de meio milhão de versos — jamais escritas no mundo.

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Abril 2026 - nº 767
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