
Bishkek. Alguém procura a estátua de Lenine. Deveria estar aqui, na Praça Ala-Too, a mais importante da capital quirguiz. Mas não está. Ou melhor, já não está: foi deslocada, prova de que a História pode mudar conforme o período em que é contada. No lugar do revolucionário russo ergue-se a estátua equestre de Manas.
Manas é o herói do Quirguistão por excelência. Figura lendária do século IX a quem se atribui a reunificação das quarenta tribos quirguizes (hoje recordadas pelos quarenta raios solares da bandeira nacional). Durante um milénio, a sua epopeia — feita de batalhas e de ensinamentos morais — foi transmitida oralmente por contadores de histórias chamados «manaschi». Só em meados do século xix a lenda foi posta por escrito, tornando-se uma das obras literárias mais longas — sete volumes com mais de meio milhão de versos — jamais escritas no mundo.
