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17 maio 2026

O senhor do Pamir, Tajiquistão

Tempo de leitura: 16 min
País de montanhas e aldeias rurais, há vinte e dois anos que o Tajiquistão é governado por Emomali Rahmon, um presidente cuja imagem é celebrada em cada canto. Autocracia ligada à Rússia e à China, o país da Ásia Central está em crescimento, mas continua a ser o mais pobre da região.
Paolo Moiola
Jornalista
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Passo de Kyzyl Art. Os militares recolhem os passaportes. Um deles debruça-se à janela do todo-o-terreno para ver os nossos rostos. As instalações do posto fronteiriço entre o Quirguistão e o Tajiquistão são mínimas e muito degradadas, sinal de que o passo é pouco frequentado. Enquanto aguardamos a devolução dos documentos, dois de nós descem do veículo para observar os arredores. O sol está a derreter a neve — estamos a uma altitude superior a 4200 metros —, caída durante a noite.

Na parede do quartel fronteiriço há um grande mural que imortaliza um aperto de mão entre o presidente quirguiz Sadyr Japarov e o presidente tajique Emomali Rahmon, no poder desde 1994. Antigamente chamava-se Rahmonov. Em 2007, o presidente (logo imitado por muitos outros políticos) renunciou ao patronímico, eliminando o sufixo -ov, que, em russo, significa «filho de» (descendente de). Uma jogada bastante hábil para mostrar aos seus cidadãos que era tajique e não russo.

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Maio 2026 - nº 768
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