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23 abril 2021

Colômbia: Palavras de paz, factos de guerra

Tempo de leitura: 22 min
Mais de quatro anos se passaram desde os acordos de paz assinados em 2016. O longo conflito colombiano mudou, mas não terminou. E as causas que o produziram ainda estão por resolver.
Paolo Moiola
Jornalista
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As palavras são importantes, mas muitas vezes insuficientes, sobrestimadas ou inúteis. A Constituição colombiana, promulgada em Julho de 1991, fala da paz em três circunstâncias: no preâmbulo, no artigo 22 e no artigo 95. No seu preâmbulo, afirma-se que o poder soberano garante aos cidadãos «a vida, convivência, trabalho, justiça, igualdade, educação, liberdade e paz». O artigo 22 afirma que «a paz é um direito e um dever de realização obrigatória». Por fim, de acordo com o artigo 95.º, são deveres da pessoa e do cidadão «promover a realização e manutenção da paz». No entanto, apesar das palavras solenes escritas na carta constitucional, a paz na Colômbia está largamente inacabada. Ainda hoje continua a ser uma promessa de muitos e uma esperança de tantos.

Os números do conflito podem mudar dependendo dos assuntos e da forma como os dados são coligidos. Em qualquer caso, são números impressionantes. O Centro Nacional de Memória Histórica, por meio do Observatório de Memória e Conflito, conta as vítimas do conflito, distinguindo entre onze modalidades de violência (acções de guerra, danos a bens civis, mortes selectivas, ataques à população, ataques terroristas, desaparecimentos, chacinas, minas antipessoal, artefactos explosivos improvisados e artefactos não detonados, recrutamento e uso ilícito de meninas, meninos e adolescentes, sequestros, violência sexual).

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EDIÇÃO
Setembro 2021 - nº 716
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