Opinião
28 março 2019

Teresa de Calcutá: A vida como um dom

Tempo de leitura: 3 min
Podemos, ao aproximar-nos de um doente, dar ânimo. Ou dar força. Dar coragem. Dar a mão.
P. José Manuel Pereira de Almeida
Coordenador Nacional da Pastoral da Saúde
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Este ano a solene celebração do Dia Mundial do Doente – 11 de Fevereiro, Festa de Nossa Senhora de Lourdes – decorrerá em Calcutá, na Índia. Na sua mensagem, o Papa Francisco declara: «Quero lembrar, com alegria e admiração, a figura da Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e pelos doentes […]. A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o único critério de acção deve ser o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.»

E, logo a seguir, afirma: «A gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância, quer no sector social, quer no da saúde, e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano.»

Para nós, discípulos de Jesus, recordar o conteúdo da parábola do Bom Samaritano é recordar o facto de que o próprio Jesus foi e é essa figura de proximidade. É afinal ele quem diz (ao doutor da lei e a cada um de nós): «Vai e faz o mesmo tu também» (Lc 10,37b). Este convite a tornarmo-nos criadores de proximidade é um chamamento a assumirmos os mesmos critérios e os modos de relação reconhecidos em Jesus. Afinal, viver com Jesus e como Jesus sobre a terra.

A vida é dom de Deus e é chamada, em Deus, a fazer-se dom para a vida do outro. Chamada a fazer-se dom, a vida pessoal torna-se mediação do próprio dom de Deus, no que torna possível a vida humana do outro.

O título da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Doente deste ano é “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10,8).

Viver a vida como um dom corresponde a não queremos guardá-la para nós próprios.

Viver a vida como vida dada. Entregue. Uma vida que faz viver.

Não nos serão pedidos, a cada um de nós, gestos heróicos... Mas, se em cada dia nos soubermos aproximar dos mais vulneráveis com “o óleo da consolação e o vinho da esperança” (como rezamos num dos prefácios do Tempo Comum), então já estamos a seguir o Senhor. A viver com Ele e como Ele.

Sabemos, por exemplo, o que é dar tempo. E vivemos num tempo em que ninguém tem tempo...

Ou o que é dar um sorriso.

Podemos, ao aproximar-nos de um doente, dar ânimo. Ou dar força. Dar coragem. Dar a mão.

Podemos dar-nos.

Vivermos a vida como um dom.

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Julho-Agosto 2019 - nº 693
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