Reportagens
26 novembro 2020

Cobalto, o minério sujo da energia limpa

Tempo de leitura: 28 min
Na RD Congo, as minas que alimentam as baterias de lítio dos nossos telemóveis e carros eléctricos são campos da morte para muitas crianças que ali trabalham.
Margarida Santos Lopes
Jornalista
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James Doe 1* tinha 17 anos quando morreu, em 16 de Abril de 2018, numa mina de cobalto, perto da aldeia de Kapata, na República Democrática do Congo (RDC). Finalizado o segundo ano da escola primária, interrompeu os estudos porque os pais não conseguiam pagar as propinas equivalentes a 5 euros por mês.

Sem meios de subsistência e para escapar à fome, o pequeno James começou primeiro por extrair cobalto à superfície, vendendo-o por quantias irrisórias. Aos 15 anos, juntou-se a um grupo de outros miúdos e jovens que escavavam os túneis da mina. Um salário mensal correspondente a cerca de 15 euros era uma grande ajuda para a tia Jane Doe 1 e para outras sete crianças que vivem com ela.

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EDIÇÃO
Setembro 2021 - nº 716
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