
Lembro-me que aquele missionário nos falou de animais, canoas e países desconhecidos.
No fim da aula, perguntou: «Quem gostaria de ser missionário?» Eu não me mexi, mas a professora deu o meu nome ao missionário.
Algum tempo depois, recebi um convite para participar numa atividade de férias organizada pelo Seminário das Missões, dos Missionários Combonianos em Viseu.
Percebi que era Deus quem me chamava para ser missionário e respondi sim.
Completei com sucesso a minha preparação para ser missionário comboniano e fui ordenado padre na minha terra natal, aos 27 anos.
A seguir, durante seis anos, trabalhei com adolescentes e jovens a partir do Seminário Comboniano de Famalicão. Assim como um padre foi o instrumento de Deus para despertar em mim a vocação missionária, procurei sê-lo para os outros.
Neste tempo, percebi que a música moderna era um ótimo meio de comunicar a fé e a vida missionária aos mais novos. E nasceu a Banda Missio.

Lançámos temas com letras assinadas por mim, com melodias que misturam pop e rock.
Além da evangelização, a banda tem um forte cariz social. Um exemplo foi o concerto de celebração dos 15 anos de carreira, cujos fundos angariados reverteram para a compra de equipamento de som e instrumentos para missões no Chade.
O Chade, na África Central, foi o país onde cheguei como missionário em 1994, destinado à missão católica de Moissalá. O país, antiga colónia francesa, vivera uma guerra civil e a pobreza e a corrupção eram flagelos, agravados pela exploração de petróleo.
Durante sete anos, fui pároco de uma comunidade de 120 000 habitantes, dos quais apenas 4800 eram batizados.
Nós missionários vivemos em comunidades internacionais. Tive como colegas um italiano, um togolês e um mexicano. Sermos de continentes, culturas e tons de pele diferentes foi um grande testemunho para os chadianos, habituados às rivalidades étnicas e a não se entenderem.
Os missionários vamos em missão para partilhar a fé em Jesus Cristo e para ajudar com projetos de desenvolvimento. É assim que, desde 2016, estou no Chade, nas dioceses de Laï e Sarh, no Sul do país, sendo também responsável pelas escolas primárias, colégios e centros culturais.