
«Este desejo reflete a consciência de que a Igreja “reconhece nos pobres e nos que sofrem a imagem do seu Fundador pobre e paciente, esforça-se por suprir as suas necessidades e procura servir Cristo neles”» (Amou-nos, n.º 36).
A Igreja sabe que é chamada a viver o Evangelho, servindo nos pobres o próprio Jesus. Existe um vínculo inseparável entre ter fé e amor aos pobres: não se trata de uma opção secundária, mas de uma exigência do Evangelho. Esta realidade tem sido vivida pela Igreja ao longo dos séculos.
Nos primeiros cristãos predominavam os humildes. A comunidade partilhava os bens, pois a fé sem obras é considerada morta (cf. Carta de Tiago 2, 17); a Eucaristia estava ligada à coleta para órfãos, viúvas, prisioneiros e estrangeiros, ou seja, a atenção aos doentes, aos presos e marginalizados era extensão concreta do culto.
Alguns Institutos religiosos nasceram para a missão com os pobres. São Basílio e São Bento imaginaram a vida monástica a praticar a hospitalidade e o trabalho para sustentar os pobres.
O português São João de Deus dedicou-se ao cuidado dos doentes. São José de Calasanz, São João Batista de La Salle e São João Bosco entenderam a educação dos pobres como ato de justiça. São Daniel Comboni, pelo Evangelho, lutou contra a escravatura. Em Portugal, podemos também destacar: Santa Isabel, rainha atenta às necessidades dos mais humildes e carenciados, e Santo António de Lisboa, amigo dos pobres e dos que sofriam — conta-se que, numa ocasião, distribuiu aos pobres todos os pães do convento em que vivia. Atualmente, os cristãos continuam a servir os mais pobres, por exemplo, na assistência aos migrantes.
