Aventura da Fé
27 setembro 2026

Responder ao amor de Deus

Tempo de leitura: 3 min
A experiência do amor do Coração de Cristo desperta uma resposta. Não basta sentirmo-nos amados: o amor recebido exige entrega. Comenta o Papa Francisco na sua carta encíclica: «Sabermo-nos amados e colocar toda a nossa confiança nesse amor não significa anular as nossas capacidades de doação...»
Redação
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«Sabermo-nos amados... também não implica renunciar ao desejo irrefreável de dar alguma resposta a partir das nossas pequenas e limitadas capacidades» (Amou-nos, n. º 164).

 

O Papa Francisco assinala que o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis: «É preciso voltar à Palavra de Deus para reconhecer que a melhor resposta ao amor do seu Coração é o amor aos irmãos; não há maior gesto que possamos oferecer-lhe para retribuir amor por amor.
A Palavra de Deus di-lo com toda a clareza: "Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes" (Mt 25, 40). "Toda a Lei se cumpre plenamente nesta única palavra: Ama o teu próximo como a ti mesmo" (Gl 5, 14)» (Amou-nos, n.o 167). E o papa acrescenta que «o amor aos irmãos não se fabrica, não é fruto do nosso esforço natural, mas exige uma transformação do nosso coração egoísta» (Amou-nos, n.o 168).

 

Muitos cristãos rezam a célebre súplica «Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao vosso». O apóstolo São Paulo ensinou--nos: «Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus» (Fl 2, 5).

 

Jesus, identificando-se com os últimos da sociedade (cf. Mt 25, 31-46), «trouxe a grande novidade do reconhecimento da dignidade de cada pessoa. [...] Este princípio novo na História, pelo qual o ser humano é tanto mais “digno” de respeito e de amor quanto mais é fraco, mísero e sofredor, [...] mudou o rosto do mundo, dando vida a instituições que se dedicam a cuidar daqueles que se encontram em condições desumanas: os órfãos, os idosos abandonados, os doentes mentais, os sem-abrigo...» (Amou-nos, n.o 170).

 

Existe uma profunda ligação entre a devoção ao Coração de Jesus e o compromisso para com os irmãos. «Um coração capaz de compaixão pode crescer em fraternidade e solidariedade, porque "quem não chora retrocede, envelhece interiormente, ao passo que a pessoa que chega a uma oração mais simples e íntima, feita de adoração e comoção diante de Deus, amadurece. Prende-se cada vez menos a si mesma e mais a Cristo, e torna-se pobre em espírito. Deste modo sente-se mais próxima dos pobres, os prediletos de Deus"» (Amou-nos, n. o 190). E, frisa o papa, Jesus propõe-te que «o encontres também aí, em cada irmão e em cada irmã, especialmente nos mais pobres, desprezados e abandonados da sociedade» (Amou-nos, n. o 213).

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Setembro 2026 - nº 654
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