
O coração costuma indicar as verdadeiras intenções, o que se pensa, se acredita e se quer realmente, os “segredos” que não se contam a ninguém, em suma, a verdade nua e crua de cada um. O que não é aparência ou mentira, mas autêntico, real, inteiramente “pessoal”» (n.º 5).
Continua a explicar o papa: «Esta verdade íntima de cada pessoa está escondida debaixo de muita superficialidade, o que torna difícil o autoconhecimento e ainda mais difícil conhecer o outro [...] Para além das muitas tentativas de mostrar ou exprimir o que não somos, é no coração que se decide tudo: ali não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos. E esta é a base de qualquer projeto sólido para a nossa vida, porque nada que valha a pena pode ser construído sem o coração. As aparências e as mentiras só trazem vazio» (n.º 6).
«Em última análise, poder-se-ia dizer que eu sou o meu coração, porque é ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me põe em comunhão com as outras pessoas» (n.º 14).
O Papa Francisco utiliza a figura da Virgem Maria para explicar como o coração humano deve integrar as experiências da vida através da contemplação profunda. Explica que o coração de Maria era o lugar onde os acontecimentos da vida — muitos deles misteriosos, desconexos ou dolorosos (como a pobreza da manjedoura ou a perda de Jesus no Templo) — encontravam uma unidade essencial. «É isso que o Evangelho exprime no olhar de Maria, que olhava com o coração. Ela foi capaz de dialogar com as experiências que conservava, medi-tando-as no seu coração, dando-lhes tempo: simbolizando-as e guardando-as no seu interior para as recordar» (n.º 19). Maria, portanto, não guardava apenas a memória visual ou intelectual dos acontecimentos. Ela preservava o mistério do amor humano e divino que se manifestava diante dela em Jesus. E aquilo que se guarda no coração, como fez Maria, transforma-se em oração confiante a Deus.
