Valores
07 abril 2019

Nativos digitais: A geração Z

Tempo de leitura: 3 min
Atualmente, a geração Z tem entre 5 e 22 anos. Geração Z porque sucede à geração do milénio, referida como geração Y.
Abel Dias
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Quando os primeiros jovens da geração Z estavam a completar um ano de vida, apareceu o Google, aos 6, surgiu a Wikipédia e, aos 9, chegou o Facebook. Se olharmos para aqueles que nasceram em 2012, e têm agora 6 anos, nunca conheceram a vida sem redes sociais ou aplicações. Esta geração está a ser influenciada pelo acesso fácil que têm à informação e pela necessidade de ter respostas rápidas. Já não dependem de alguém mais velho para aprender algo de novo. Se querem saber, procuram e o YouTube é o lugar onde procuram e os youtubers são os seus professores. É a geração com a Internet no bolso.

 

Hiperligados, mas solitários

Segundo especialistas, o uso (e abuso) da tecnologia pode transformar as crianças em seres introspetivos em função da exposição precoce às ferramentas tecnológicas. Desde o seu nascimento as crianças são submetidas, pelas mais variadas razões, a um autêntico bombardeio digital. Televisores, consolas, telemóveis, tablets e computadores ocupam, cada vez mais, o tempo e o espaço da infância, deixando as crianças mais solitárias. O relacionamento virtual tem tendência a afastar e, por vezes, até evitar os relacionamentos reais. Em alguns casos, o isolamento social gera traumas que podem prejudicar a convivência com as pessoas: problemas como o medo de viver em sociedade e o pânico de relacionamento interpessoal podem surgir no futuro.

 

Três características desta geração

A geração Z não ouve, tem pressa e é impaciente. Para esta geração tudo se torna descartável rapidamente. Com o isolamento social e a pouca expressão comunicativa surge a geração silenciosa: jovens que falam pouco e que não ouvem quase nada. Os fones no ouvido assumem o papel de protagonistas na vida desta geração, e, como resultado, agravam a incapacidade de ouvir tornando estes jovens cada vez mais egocêntricos e individualistas. Paralelamente, esta geração manifesta-se impaciente pois não aprendeu a saber esperar. Para os jovens desta geração, a velocidade é sinónimo de qualidade, mas isso pode prejudicar as relações familiares e as amizades, impedindo que os bons momentos da vida sejam apreciados.

 

Contributo desta geração

Mas a geração Z é também uma geração irreverente, exploradora, apaixonada, inovadora e, potencialmente, mais centrada em si própria. É também muito profissional e empreendedora, composta por jovens envolvidos e informados. A par disso, trata-se de uma geração que aplica o seu pragmatismo e a procura constante pela inovação em todas as vertentes da sua vida. São como peixes na água na nova lógica digital e querem tirar partido disso. Também valorizam e preservam a sua individualidade, dão prioridade às suas paixões e não querem apenas estabilidade, mas sim sentirem-se realizados. Perante tudo isto, o papel do educador deve ser ajudar a formar pessoas mais críticas e criativas em relação ao uso da tecnologia e mais apaixonadas e comprometidas com os que as rodeiam.

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EDIÇÃO
Setembro 2019 - nº 577
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