

O conflito armado em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, teve início em 2017, tendo provocado mais de um milhão de deslocados e uma grave crise humana. A música tem um papel importante na promoção da paz, a esperança e a união. A canção Tikume Pamo to Natema (que podemos traduzir por «Fiquemos juntos para cuidar») reúne vários nomes da música moçambicana — Az Khinera, Djenny Delica, Gerson Mariano, Vidro Baiano, Rony, Viegas Youkuma e Abuchamo Munhoto e conta, ainda, com a presença do Coral Esperança de Pemba, que acrescenta ao trabalho uma sonoridade coral marcada pela identidade e pela tradição da região de Cabo Delgado. O tema musical assume, assim, um carácter colectivo, reforçando valores como a união, a solidariedade e a esperança num futuro melhor. Efectivamente, o objectivo da canção, apoiada e promovida pela Unicef, é difundir a mensagem de que a união fortalece as comunidades afectadas por conflitos e que só permanecendo juntos somos mais fortes e será possível alcançar e consolidar a paz: «Se estivermos juntos, vamos vencer/ Precisamos da paz, para as nossas crianças voltarem a estudar / Precisamos da paz, para as nossas famílias voltarem a suas casas.»
Tikume Pamo to Natema representa mais do que uma colaboração musical: é uma expressão da criatividade moçambicana e da capacidade da música para unir pessoas, comunidades e culturas.
O vídeo da canção está disponível em:

Charbel Pinto é um cantor e compositor da Guiné-Bissau, com um percurso marcado sobretudo por sonoridades românticas e dançantes. O artista tem recorrido sobretudo ao crioulo cabo-verdiano nas suas canções, aproximando diferentes referências culturais lusófonas. Entre os seus trabalhos encontram-se Apaxonado (2013), Nha Criol (2023) e Ramanga (2024).
Em Dezembro de 2025, Charbel apresentou Dur — “dor”, em português —, uma música escrita depois do último golpe de Estado no país, em Novembro de 2025, e surge como uma intervenção social. «Relata que estamos cansados de cair e levantar, de ver os irmãos a brigarem. Está na hora de nos abraçarmos e seguirmos em frente», disse o músico em entrevista à Lusa. Dur, referiu o artista, é como um «grito de socorro» e um apelo à paz, à democracia e à união dos Guineenses.
«É uma reflexão e apelo à paz. Não quero que ninguém a interprete como perseguição. Luto por um país democrático. Não podemos viver numa ditadura onde não se pode falar quando as coisas estão mal», acrescentou Charbel.
A música aborda ainda as desigualdades sociais e a violência, com destaque para as más condições das infra-estruturas públicas. Mas, sublinha o cantor, não faz referências a partidos nem a figuras políticas, mas denuncia a realidade do país e defende a democracia. É um apelo à consciência, à paz e à mudança, à coesão comunitária.
É um grito de esperança num futuro melhor.
O vídeo da canção está disponível em:
