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29 setembro 2026

André, apóstolo entusiasta

Tempo de leitura: 8 min
André foi o primeiro apóstolo a ser chamado por Jesus, respondendo com disponibilidade, entusiasmo e dedicação ao Senhor. Viveu a sua vocação de discípulo com alegria, compaixão, serviço generoso e ardor missionário.
Pedro Nascimento
Leigo missionário comboniano
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O apóstolo André era natural de Betsaida, localizada nas margens de Genesaré, filho de Jonas, irmão de Pedro. O seu nome é grego, o que nos faz perceber que a influência da cultura grega tinha chegado também àquela região. Dedicava-se à pesca no lago de Tiberíades, na Galileia, e morava em Cafarnaum.

 

Disponibilidade e serviço

André é considerado o primeiro a ser chamado para fazer parte da comunidade apostólica de Jesus. O episódio marcante na sua vocação é narrado no Evangelho de João (cf. Jo 1,35-42). André tinha ido para as margens do Jordão junto com João, o futuro evangelista, para escutar João Baptista. Este, indicando-lhes Jesus, disse: «Eis o Cordeiro de Deus!» E os dois discípulos, ouvindo-o falar, seguiram Jesus, viram onde morava e ficaram aquele dia junto do Mestre.

A atitude de André é, desde o início, a atitude de um verdadeiro missionário: quem conhece Jesus, quem se apaixona por Jesus, sente necessidade de O anunciar, de O partilhar com os outros. São João Crisóstomo comenta: «André, tendo ficado perto de Jesus e tendo aprendido muitas coisas, não manteve escondido em si esse tesouro, mas apressou-se a correr para junto de seu irmão para torná-lo participante disso.» Efectivamente, foi com esse entusiasmo missionário que ele correu para contar ao seu irmão que havia encontrado o Messias e levou-o até Jesus (cf. Jo 1,41-42). André levou Pedro ao encontro de Jesus; podemos dizer que foi seu promotor vocacional. Tornando-se discípulo, André tornou-se, imediatamente, missionário, levando ao encontro com Jesus Cristo primeiro o seu irmão e mais tarde muitos outros na região da Acaia.

André deve ser, para nós, um exemplo e uma referência na forma como partilhamos, com alegria, a presença de Jesus no meio de nós. A exemplo de André, também cada um de nós poderá dizer: «Encontrámos o Messias!» O Salvador está vivo e no meio de nós.

André era uma pessoa sensível, empática, preocupada com a realidade dos seus irmãos e irmãs. Na passagem da multiplicação dos pães que São João nos conta (cf. Jo 6,1-14), foi André que apresentou o rapazinho que tinha os pães e os peixes a Jesus, para que o Senhor fizesse muito com tão pouco. E o Senhor multiplicou aqueles poucos alimentos, saciou a multidão e ainda sobrou comida. André ensina-nos a estar atentos ao outro, a preocuparmo-nos com quem está à nossa volta e a apresentar a Deus a nossa pequenez, para que Ele faça de nós instrumentos do Seu amor. Na presença de Deus, aprendemos a amar, a cuidar e a viver como irmãos, profundamente amados por Ele.

A exemplo de André, também nós podemos ser ponte entre Deus e os outros. Também foi André que acolheu e levou a Jesus alguns gregos, que lhe pediram para ver Jesus (cf. Jo 12, 20-22).
O exemplo de acolhimento vivido por André, que não é possessivo na sua amizade com Jesus, abre a possibilidade para que aqueles gregos também pudessem realizar o seu encontro pessoal com o Mestre. O exemplo de André, acolhedor missionário, ajuda-nos a todos na vivência cristã do acolhimento missionário. Convida-nos, também a nós, a ser pontes entre os nossos familiares, amigos e conhecidos e Deus. Com humildade, procuremos levar até Ele aqueles que, à nossa volta, precisam de Deus, precisam do Seu amor e da Sua presença.

 

Ardor missionário

Após a Ascensão de Jesus e o Pentecostes, segundo Orígenes, André teria anunciado o Evangelho na Cítia, no Ponto Euxino, na Capadócia, na Galácia e na Bitínia. Depois, segundo São Jerónimo, teria passado a evangelizar a Acaia, fixando-se em Patrasso, na Grécia, onde no ano de 60 foi condenado a morrer crucificado, mas pediu para ser colocado numa cruz em formato diagonal (conhecida hoje como a cruz de Santo André), por se considerar indigno de morrer numa cruz igual à de Jesus Cristo.

A mim, impressiona-me muito a humildade de André, o seu desejo de levar os outros até Jesus — partilhando com eles a pedra preciosa que é o Senhor — e o seu desejo de servir Jesus até à morte. Nas palavras de Bento XVI, «o apóstolo André ensina-nos a seguir Jesus com prontidão (cf. Mt 4,20; Mc 1,18), a falar com entusiasmo dele a quantos encontramos e, sobretudo, a cultivar com Ele um relacionamento de verdadeira familiaridade, bem conscientes de que somente nele podemos encontrar o sentido último da nossa vida e da nossa morte».

 

Servir a Deus nos pobres

O Stephen Kwesiga é um jovem missionário comboniano que nasceu em Mbarara, Oeste do Uganda. Foi o segundo de cinco filhos.

Quando era criança, sentiu-se inspirado pelo seu pároco e desejou ser padre. Ingressou no seminário da sua diocese e, além de completar o ensino básico e secundário, adquiriu uma visão ampla do serviço sacerdotal.

Mais tarde, direccionou o seu interesse para o empreendedorismo e ingressou na escola profissional de São José para se concentrar nesse ideal. Contudo, durante um retiro para estudantes, sentiu intensificar-se o apelo para o sacerdócio. E, ao ler uma revista sobre os Missionários Combonianos no Uganda, lembrou-se de dois missionários italianos deste instituto que transformaram a vida das pessoas na paróquia vizinha e lhes incutiram o amor a Deus. Isto aumentou nele o desejo de ser padre e apresentou-se aos Combonianos. Foi acolhido e realizou as diferentes etapas de formação.

O Stephen procura responder com generosidade e criatividade ao chamamento de Deus e, assim, fazer a vontade do Senhor. Por exemplo, fez apostolado na prisão de Jinja, no Uganda, e visitou também as famílias dos guardas prisionais, rezou com elas e ensinou catecismo aos seus filhos. Trabalhou com jovens, incentivando-os para a união e o cuidado mútuo, o que melhorou os seus meios de subsistência, aumentou a sua participação nas actividades da Igreja e mudou a sua mentalidade, levando-os a orar e trabalhar em conjunto.

Actualmente, o Stephen encontra-se no Seminário Comboniano na Maia. Depois de aprender português vai estudar Teologia. Além disso, colabora nas visitas que a comunidade e os voluntários leigos fazem às pessoas em situação de sem-abrigo na região do Porto, na animação missionária e nas actividades litúrgicas da capela assistida pelos missionários combonianos na Maia.

Estas experiências ensinam o Stephen a ver Cristo a actuar quando se faz o bem aos mais necessitados, e revigoraram nele a motivação para servir melhor a Deus nos pobres e mais abandonados. O seu ideal é combater o individualismo e o consumismo com a solidariedade e a compaixão.

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EDIÇÃO
Setembro 2026 - nº 771
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