
Chama-se Caridade, uma senhora de cabelos brancos como as nuvens e olhos cor da água.
É muito discreta, mas, apesar de nunca querer dar nas vistas, não passa despercebida a quem se cruza com ela.
Dona Caridade tem sempre uma palavra amiga, um olhar atento e um gesto solidário. Não é bruxa, mas às vezes parece que adivinha. Quando alguém precisa de apoio, nem necessita de o dizer, pois a velha senhora logo ajuda como pode e até como não pode. Depois segue a sua vida, no silêncio do seu recato, sem saber que leva um brilho no rosto. Um rosto embelezado por rugas que mais parecem caminhos num mapa aberto a todos.
Fé gosta muito de sua bisavó e esta retribui-lhe, dando-lhe o melhor de si. Um amor que deixa marcas por onde passam, mesmo não estando juntas. Fé e Caridade não precisam uma da outra para existirem, mas, quando se encontram, são como as águas de março nos campos estendidos ao sol. À sua volta crescem papoilas e cheira a rosmaninho. As duas reinventam a primavera.
Mas nem tudo são flores, como irei contar-te nos próximos números. Fica atento.