O papa recorda os textos da Bíblia como o lugar principal da Revelação desse amor. No Antigo Testamento, os profetas (como Oseias e Jeremias), apresentam o coração de Deus como um coração maternal, fiel e cheio de compaixão e ternura, que sofre quando o seu povo se afasta e perdoa gratuitamente. No Novo Testamento, o Coração de Jesus é revelado na sua vida terrena, nos seus gestos e palavras, que expressam o amor e a misericórdia de Deus Pai. O coração de Cristo, trespassado na cruz (cf. João 19, 34), torna-se, para os cristãos, o sinal de um amor que se doa sem limites.
Ao longo dos séculos, a Igreja tem aprofundado esta revelação. Eis alguns dos testemunhos da fé cristã:
- São Agostinho apresenta-nos a devoção Coração de Jesus como um encontro pessoal com o Senhor, um encontro de amor.
- São Bernardo e Guilherme de Saint-Thierry dizem-nos que a ferida no lado de Cristo revela misericórdia e convida-nos a entrar no seu Coração.
- São Boaventura apresenta-o como uma fonte sacramental e uma amizade íntima.
- Santa Margarida Maria Alacoque mostra-nos este coração dizendo: "Eis este Coração, que tanto amou a Humanidade, que nada poupou até se esgotar e consumir-se para he demonstrar o seu amor."
- São Cláudio La Colombière interpreta a devoção à luz do Evangelho e convida-nos a confiar plenamente no amor de Cristo.
- São Francisco de Sales une o Coração de Cristo com uma confiança filial.
- Santa Teresa do Menino Jesus vive uma devoção centrada na confiança: "A confiança, e nada mais do que a confiança".
- São Carlos de Foucauld manifesta o seu desejo de "deixar que o Coração de Jesus viva em mim" através de uma devoção concretizada numa vida simples e missionária.
- São Daniel Comboni "encontrou no mistério do Coração de Jesus a força para o seu empenho missionário" (n.° 150).