
Narrador: É manhã em Nazaré.
Jesus: Mãe, vou lá fora apanhar um pouco de ar.
Maria: Fazes bem, Jesus! Passaste todo o dia fechado na carpintaria.
Jesus (abrindo a porta): Já reparaste, mãe? O caminho que desce para lá de Nazaré não é apenas uma estrada de terra batida – é uma linha aberta no horizonte.
Maria: Ah, sim, sim! Quantas vezes o percorri, primeiro com o teu pai, José, depois, nós juntos, até Jerusalém, Cafarnaúm e outras povoações.
Jesus: Hoje, olho para este caminho e é como se ele estivesse a chamar-me e à espera do meu primeiro passo. Tenho uma missão que o Papá do Céu me deu para cumprir.
Maria: Percebo-te, filho! As mães sabem quando chega a hora que não pode ser adiada. Vai!
Jesus: Vou ter com o meu primo João, o Baptista. Está a batizar multidões. Quero ser batizado por ele.
Maria: Deixa-me ajustar-te a túnica. Fizeste-te um homem belo, por dentro e por fora. Vai, eu te abençoo.
Narrador: Maria pôs a mão sobre o ombro de Jesus e, sem palavras, abençoou-o. Naquele gesto simples cabia tudo: cada memória guardada desde a infância, e o futuro entregue nas mãos de Deus.
Cléofas: Jesus pôs-se a caminho. Onde irá?
Joana: Chegou o momento em que o amor doméstico se vai transformar em dom para todos.
Maria: O Espírito do Senhor desça sobre ti, Jesus, e te acompanhe na tua missão.
Jesus: Sim, o Espírito do Senhor está sobre mim, e unge-me, para anunciar a Boa Nova aos pobres; envia-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, e a proclamar a reconciliação de todos com o Senhor e uns com os outros.
