

O mais recente livro do cardeal Tolentino Mendonça não é apenas mais uma obra do autor. É um mapa para uma jornada espiritual interior. Constitui-se como uma proposta de uma inegável profundidade que pretende que o leitor abrace os meandros da sua existência com tudo o que esta contém e encerra.
Comecemos com uma das frases escritas pelo autor que muito nos revela sobre a beleza escondida em cada palavra desta obra: «Estimar o pão sem, no entanto, esquecer o sabor das migalhas.» É assim que o cardeal Tolentino nos escreve. É desta forma leve e amorosa que nos desinstala como leitores e como pessoas que integram um mundo tantas vezes caótico e aparentemente sem rumo. Assim é, pois, importante que saibamos apreciar o sabor do pão de cada dia sem esquecer que, por vezes, o que encontramos do pão são apenas migalhas. No entanto, também esses resquícios sobrantes devem ser considerados alimento e fonte de vida.
Este é o convite que o autor nos faz com a obra que aqui analisamos: o de saber valorizar tudo o que é. O de saber abraçar todas as facetas do mundo e da vida – o bom e o mau. O compreensível e o incompreensível. A leveza e a complexidade. A luz e a sombra. Todas essas polaridades nos ensinam e nos revelam verdades importantes sobre nós e sobre os outros, se estivermos de coração disposto a aprender e a receber.
A obra encerra um conjunto de textos redigidos eximiamente que, ao mesmo tempo, podem considerar-se acessíveis a qualquer leitor pela simplicidade poética que os caracteriza. Todos os temas tocam a sensibilidade do mundo interno de cada um de nós. Todos nos falam e interpelam. De referir, ainda, que o autor enriquece a sua escrita (já tão plena e profunda) com referências diversas a citações filosóficas, a outros autores ou artistas renomados e que consegue usar essas mesmas referências como ponto de partida para uma reflexão ainda mais aperfeiçoada.
Esta é, sem dúvida, uma obra que nos atravessa. Como uma fresta de luz que escapa e passa quando, sem querer, abrimos uma janela dentro de casa. A casa que somos ficará mais bem habitada se nos atrevermos a percorrer estas páginas com esperança, sem certezas enraizadas e com curiosidade.
Em conclusão, parece-me pertinente partilhar uma das frases do autor incluídas neste livro: «Chegará o momento em que compreenderemos que sabedoria é amar tudo. É saudar os dias sem esquecer a importância das horas.» Saibamos nós, também, em cada dia, ver tudo como se fosse a primeira vez e nascer para cada amanhã com o coração (re)pousado no essencial.
Título: Para os Caminhantes Tudo É Caminho
Autor: José Tolentino Mendonça
Editora: Paulinas
www.paulinas.pt | Tel. 219 405 640

A obra convida o leitor a percorrer dois continentes enquanto acompanha uma profunda viagem interior. Esta é uma história sobre identidade, pertença e os segredos que atravessam gerações. Ao unir dois dos mais importantes caminhos de peregrinação no mundo — Santiago, Espanha, Kumano Kodo, Japão —
o romance cria uma ponte entre Oriente e Ocidente.
Título: 10 755 — Caminhos que se Cruzam
Autor: Eduardo Pinheiro
Editora: Casa das Letras
https://www.leya.com | Tel. 214 272 200

Mark Mazower, historiador especializado em História da Europa e História Internacional, apresenta nesta obra a evolução da palavra «anti-semitismo» desde a invenção na Alemanha, em 1879, até ao presente, para compreender como ela moldou a História moderna e os debates actuais, incluindo aqueles relacionados com o Estado de Israel e o Oriente Médio.
Título: Antissemitismo — Uma Palavra na História
Autor: Mark Mazower
Editora: Dom Quixote
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