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s Massais são um povo indígena seminómada com origem na região do rio Nilo, em África. Procedem dos povos indígenas que habitam as suas margens, chamados nilotas.
Os Massais habitam as planícies do Sul do Quénia e do Norte da Tanzânia, e são famosos mundialmente pela sua vibrante identidade cultural: distinguem-se pelas vestes vermelhas tradicionais (as shúkàs), de padrão quadriculado, enroladas ao corpo, pelos vistosos adornos de contas (os imoni) e pela célebre dança ritual de saltos verticais (a adumu).
Entre as cores com maior significado simbólico na cultura massai encontram-se o vermelho, o azul-escuro e o preto. O vermelho simboliza bravura, força, coragem e unidade. Está associada ao sangue do gado e à protecção contra animais selvagens. Associado à juventude, simboliza, acima de tudo, a juventude e a energia, mas, ao mesmo tempo, a impaciência e até a cólera. O azul representa o céu e a energia. Simboliza também a água da chuva, essencial para dar vida às colheitas e alimentar o gado.
O preto é considerado uma cor sagrada, e simboliza o poder espiritual e a sabedoria.
O vermelho e o preto também são símbolo das principais características da divindade suprema do povo massai, chamado Enkai (ou Ngai). Ele é o criador do Universo e está ligada ao céu, à chuva, à fertilidade e ao dom do gado, que é sagrado para a comunidade. Este deus tem duas personalidades.
É um deus negro, que é benevolente e traz chuva e abundância, e é um deus vermelho, associado à fúria, à seca, às dificuldades e à punição. Esta crença é perceptível, por exemplo, nos fenómenos da Natureza. Segundo algumas interpretações massais, quando Enkai se zanga, a sua montanha expele lava vermelha. Depois, a montanha acalma-se e cobre-se com uma camada de cinza ou transforma-se numa crosta preta, regressando lentamente à normalidade com nova vegetação e vida. Isto demonstra a benevolência renovada e eterna de Enkai para com o seu povo massai.
A fórmula mais comum de os Massais invocarem a sua divindade é Enkai Narok (o Pai Negro), e pedem-lhe que cubra todo o povo com o seu manto negro. Nesse enquadramento, vestir roupas e outros objectos que sejam preto ou azul-escuro demonstra a santidade de uma pessoa numa determinada fase da sua vida. Estas pessoas tornam-se intocáveis: é preciso cumprimentá-las, mas não lhes apertar a mão nem as tocar. A sua aparência austera, resultante das suas roupas, é realçada pelo cabelo comprido, conferindo-lhes um ar mais inflexível. Este grupo inclui bebés com menos de 6 meses e, por um breve período, rapazes após a circuncisão e mulheres após o parto. Uma vez que pertencem mais a Deus do que à sociedade, são reverenciados e respeitados.
Os idosos massais que presidem aos festivais mais importantes, sempre de natureza religiosa, vestem-se de azul-escuro e oferecem orações e bênçãos. A aspersão de uma mistura de mel, cerveja, leite e um leve jacto de saliva simboliza o cuspo de Deus e a sua chuva vivificante.
Os objectos associados a pessoas, actividades ou eventos mais importantes são preferencialmente de cor preta ou azul-escura. É assim, por exemplo, na circuncisão tanto de rapazes como de raparigas. Este acto funciona como um rito de passagem tradicional para marcar a entrada na idade adulta. Os rapazes passam pela circuncisão entre os 12 e os 20 anos. O ritual marca a mudança de menino para guerreiro (moran). Os jovens devem suportar a dor sem mostrar fraqueza ou chorar. Às meninas, em algumas comunidades, foi tradicionalmente praticada a mutilação genital feminina — tradição que tem sido contestada por activistas e leis locais que lutam para banir o procedimento. Algumas comunidades já adoptaram rituais alternativos de passagem que mantêm a celebração cultural sem o corte físico.
Para os rapazes, outro momento de suma importância é o eunoto, a cerimónia que representa a passagem dos jovens guerreiros (morans) para a vida adulta e liderança comunitária. Este rito ocorre cerca de dez anos após a circuncisão, e o rapaz passa a ser considerado um ancião.
O eunoto tem vários rituais. Um é o corte de cabelo. As mães rapam o cabelo comprido e pintado com ocre dos seus filhos guerreiros, e isso significa o fim da juventude e do estatuto de guerreiro activo. Os jovens abandonam as espadas e lanças tradicionais de guerreiro e adoptam o fimbo, o bastão de caminhada característico dos anciãos. Segundo os Massais, o bastão preto, que por vezes é feito de aço, é um sinal de grande autoridade. Ele é enterrado num rio de lama durante algum tempo para lhe conferir a cor. É erguida uma aldeia especial (manyatta) com uma cabana sagrada central (osinkira) construída pelos anciãos. Os participantes celebram com saltos tradicionais (adumu), cânticos guturais e desfiles rituais durante vários dias.
Os massais mais velhos — homens e mulheres — usam um colar tradicional de contas azul-escuro ou preto. Normalmente, é enrolado duas vezes à volta do pescoço e cai sobre o peito. Simboliza sabedoria e conexão espiritual. Alguns chamam-lhes as pérolas da oração. Ao contrário do rosário católico e das pérolas de oração islâmicas, estas contas não são contadas com os dedos. Durante a oração, os anciãos podem segurar ou tocar levemente este colar.
O verde é outra cor simbólica importante para este povo seminómada das planícies do Sul do Quénia e do Norte da Tanzânia. Representa a erva, as árvores e os arbustos. Numa sociedade de pastores, onde a relação com a terra e os ciclos naturais é fundamental, o verde simboliza crescimento, fertilidade e conexão com a Natureza. A erva também representa a paz. Quando os Massais querem criar harmonia, seguram erva nas mãos, pois quem segura erva não pode empunhar uma arma. Por sua vez, as árvores, com as suas folhas, raízes, casca, frutos e madeira, são os ingredientes dos remédios tradicionais dos Massais.
O branco significa paz, pureza e saúde. Está associado ao leite das vacas, que é a base da alimentação e da vitalidade do povo.
O laranja e o amarelo, inspirados no calor do sol, indicam hospitalidade, generosidade e amizade. Estão presentes em jóias usadas em cerimónias de boas-vindas ou eventos comunitários.
As jóias são obra das mulheres. São criações complexas, feitas de pequenas contas coloridas, como colares largos, pulseiras e brincos. Cada combinação geométrica e escolha de cor transmite informações imediatas sobre quem as usa. Elas transmitem informações sobre o estado civil: as cores e o formato dos colares mudam se a pessoa é solteira, noiva ou casada. Também revelam a idade e posição social: os padrões mostram a que grupo etário ou clã a pessoa pertence, ajudando a identificar guerreiros e anciãos.
Em suma, para os Massais, as cores são uma linguagem que conta a sua identidade como povo, exprime a sua relação com a divindade, com a Natureza e com a comunidade, e transmite, de geração em geração, uma sabedoria que se veste, se celebra e se vive.
