Opinião
03 julho 2026

O que basta à consciência

Tempo de leitura: 3 min
Se a consciência é uma experiência da dimensão espiritual humana, apenas precisa de mergulhar em Deus, que está em tudo e em todos.
Miguel Oliveira Panão
Professor universitário
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A consciência pode ser uma experiência da dimensão espiritual humana? Enquanto a razão se materializa nas palavras pronunciadas com raciocínios lógicos, e as emoções com tantas partes do nosso corpo a começar pela cara, como se manifesta em nós a experiência da consciência? Apenas sabemos que os outros a têm porque nós a temos. Porém, talvez por ser algo profundamente humano e difícil de entender, muito semelhante às coisas espirituais, a consciência inclina-se para ser a forma humana de reconhecer a sua dimensão espiritual.

Educar a consciência para a experiência da dimensão espiritual é mais do que dedicar algum tempo a meditar sobre o assunto. Talvez seja mais simples ainda. Quando fechamos os olhos para rezar, por exemplo, não procuramos o sentido daquele momento no exterior ou na utilidade seja do que for, mas pretendemos mergulhar no nosso interior. 

Um mundo que vive cada vez mais dependente dos ambientes digitais que habita arrisca-se a superficializar a experiência da interioridade humana com um ininterrupto entretenimento. As redes sociais são fontes “infinitas” de entretenimento podendo ocupar todo o nosso tempo livre se assim o quisermos. Durante esse tempo, a consciência é afectada pelo efémero, diminuindo e dificultando a experiência da nossa consciência. Ninguém pretende ser uma pessoa superficial e desinteressante. A inclinação natural de todo o ser humano é ser uma pessoa profunda.

Existe uma experiência muito simples que permite a qualquer pessoa, independentemente dos recursos materiais ou cognitivos que tem, voltar a caminhar no sentido de se tornar numa pessoa profunda. É uma experiência sem qualquer subscrição ou necessidade de qualquer dispositivo. Não precisa de carregar qualquer bateria para funcionar e pode experimentar-se seja onde for, em toda e qualquer circunstância, embora umas sejam mais favoráveis que outras. Essa experiência é orar.

A oração como experiência que desenvolve a consciência não precisa de muitas palavras, bastando uma. Uma palavra cujo objectivo é levar-nos à experiência de abdicarmos dos nossos pensamentos. A consciência não precisa da razão ou da emoção, embora se revista de ambos. Se a consciência é uma experiência da dimensão espiritual humana, apenas precisa de mergulhar em Deus, que está em tudo e em todos. Acreditemos n’Ele ou não. Não depende da nossa crença.

Mas não há quem estude a consciência do ponto de vista de uma experiência neurológica? Ou será a consciência uma experiência meramente psicossomática e social? Como ninguém sabe bem como a categorizar, pode ser tudo o que pensamos que seja, ou estar muito longe disso. A única coisa que sabemos é que a temos.

Orar fechando os olhos, dizendo uma simples palavra como Jesus ou Maranathá (que significa «Vem, Senhor»), por 20 minutos, sem ter pensamentos, sem nada pretender, é deixar que seja Ele a despertar em nós aquilo que Ele quiser. Porém, com Deus, por vezes, estar, simplesmente, vivendo o momento presente, basta. 

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Julho e Agosto 2026 - nº 770
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