Opinião
01 outubro 2026

Com Cristo, unidos na missão

Tempo de leitura: 3 min
O Dia Mundial das Missões — que celebramos no dia 18 — cumpre cem anos em 2026. Na Igreja ninguém é espectador, todos somos discípulos missionários, enviados por Jesus Cristo ao mundo.
Ir. Bernardino Frutuoso
Director
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O centenário desta celebração missionária é um momento oportuno para fazer memória e agradecer pelo caminho percorrido e, ao mesmo tempo, para olhar para o futuro com alegre esperança, sabendo, como recorda o Papa Leão XIV na sua mensagem, que «nenhum baptizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja. Como o Papa Francisco recordou mais de uma vez, o anúncio do Evangelho é sempre uma acção conjunta, comunitária, sinodal».

Todos os discípulos de Jesus Cristo vivemos em estado permanente de missão. Paulo VI já tinha escrito na Evangelii nuntiandi que evangelizar constitui a identidade mais profunda da Igreja. João Paulo II acrescentou na Redemptoris missio que a missão renova a Igreja e a fé se fortalece quando se partilha. Francisco uniu, com  força, a missão ad gentes, missão além-fronteiras, à noção de «Igreja em saída», que marcou todo o seu magistério, libertando o anúncio tanto da tentação do proselitismo como do conforto de uma pastoral de portas fechadas. Evangelizar significava para o papa argentino sair para as «periferias existenciais», aproximar-se sem superioridade, ouvir, acompanhar e oferecer Jesus Cristo com alegria, generosidade e misericórdia.

A missão, que nasce em Deus, pertence, portanto, à natureza da Igreja. Permanecer em Cristo é participar no seu envio do anúncio do Reino, testemunhando o Evangelho na nossa terra e até aos confins do mundo. E, na actualidade, neste mundo complexo, a questão missionológica assume especial relevância, porque a geografia missionária mudou. Hoje a missão universal, fora das próprias fronteiras, continua a ser necessária e seria um grande empobrecimento diluí-la ao ponto de tudo significar missão e, por conseguinte, de nada a expressar de forma específica. Continuam a existir povos onde o Evangelho ainda não foi suficientemente anunciado, Igrejas jovens que requerem da presença de sacerdotes, consagrados, leigos e famílias capazes de lhes dedicar anos ou toda a vida. No entanto, os antigos trajectos da missão mudaram e interceptaram-se.
A África, a Ásia e a América Latina já não são simplesmente territórios que acolhem os missionários europeus. Essas Igrejas jovens e vivas, onde florescem tantas vocações, cooperam com as outras Igrejas e com elas partilham os seus dons e a sua fé. A Europa, que durante séculos enviou missionários para o mundo, aprende a receber o Evangelho pronunciado com outros sotaques — ver nas páginas 22 a 29 a reportagem sobre o padre Miguel Ndunde, sacerdote angolano a evangelizar na diocese de Viseu.

A Igreja é uma comunidade de enviados, chamados a partilhar com todos os povos o seu maior Tesouro, ou como refere Leão XIV, a «contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor». Na Igreja ninguém é espectador, todos somos discípulos missionários, enviados por Jesus Cristo ao mundo.

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EDIÇÃO
Outubro 2026 - nº 772
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