Opinião
12 setembro 2026

Cuidar da criação, cuidar das pessoas

Tempo de leitura: 3 min
O Tempo da Criação, celebrado todos os anos de 1 de Setembro a 4 de Outubro, é um convite simples e forte: cuidar melhor da nossa Casa Comum. Este tempo começa com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e ajuda paróquias, comunidades e famílias a rezar, reflectir e agir em favor da vida.
P. Fernando Domingues
Missionário Comboniano
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Laudato Si’ do Papa Francisco já nos lembrava que cuidar da Natureza não é uma moda, mas uma responsabilidade de todos.

Este tempo quer ajudar-nos a mudar o coração e os hábitos. Não basta admirar a beleza da Criação; é preciso protegê-la. O Papa Leão XIV recorda que a oração deve andar unida a gestos concretos. Por isso, o Tempo da Criação convida-nos a viver com mais simplicidade, a evitar o desperdício e a cuidar das pessoas e da Natureza como dons de Deus.

A crise do ambiente e o sofrimento dos pobres estão ligados. Quando a Terra é destruída — olhemos para os incêndios —, são quase sempre os mais frágeis que sofrem primeiro: os pobres, os marginalizados, que têm menos recursos para se defender. O papa ensina que a justiça ambiental não é uma ideia distante; é uma necessidade urgente e também uma exigência da fé. Cuidar da criação é cuidar das pessoas.

Por isso, uma ecologia que fala apenas de plantas, rios e animais, mas esquece quem passa fome, quem perde a casa ou quem vive sem dignidade, fica incompleta. Importa lembrar que proteger o planeta e defender os pobres são duas partes da mesma missão. Não haverá uma Casa Comum saudável enquanto houver pessoas socialmente excluídas. Muitas vezes, a sociedade dá mais valor ao lucro do que à vida. Isto cria uma cultura do descarte: descartam-se alimentos, objectos, recursos naturais e até pessoas. Leão XIV chama-nos a mudar o modo como vivemos, consumimos, trabalhamos e nos relacionamos com os outros.

Esta mudança pode começar por três atitudes simples: escolher o bem e a justiça em caminhos de solidariedade e a partilha; não ficar indiferente dando atenção aos mais frágeis; trocar o descarte pelo cuidado, dando valor às pessoas e protegendo a vida em todas as suas formas.

A ecologia integral é também uma questão de fé. Quando defendemos a dignidade dos pobres e protegemos a Criação, estamos a responder ao Evangelho. A verdadeira ecologia não separa a Natureza das pessoas: cuida da vida inteira. Ela torna-se um caminho de cuidado, justiça e esperança para todos.

Cuidar da Terra é uma forma concreta de amar a Deus e ao próximo. O ensinamento de Leão XIV lembra-nos que a justiça ambiental deve caminhar de mãos dadas com a justiça social. Onde a Criação sofre, os pobres sofrem, e nós não podemos ficar parados.

Que este Tempo da Criação nos ajude a passar das palavras aos gestos concretos: usar melhor os recursos, evitar o desperdício, apoiar os mais pobres, proteger a Natureza e construir comunidades mais fraternas. A verdadeira ecologia é caminho de humanidade e de esperança para nós e para o nosso mundo.

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EDIÇÃO
Setembro 2026 - nº 771
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